O ônibus tinha quebrado novamente. Era a segunda vez em menos de cinco dias, e o motorista já estava começando a ficar de saco cheio da empresa. Por que só SEUS ônibus quebravam? Por que só os SEUS passageiros ficavam furiosos e com vontade de mandá-lo para o fogo dos infernos?
- Mas senhor, acalme-se, eu vou consertar o ônibus e em algum tempo estaremos na estrada de novo! - ele respondia às críticas ferozes que lançavam-lhe seus clientes.
Harley não tinha mais paciência para isso. Não era justo! Por que só com ele que aconteciam essas coisas? A fumaça subia do motor do ônibus e ele sabia que o acabara de falar para o enfurecido jovem que viera falar com ele tinha poucas chances de se tornar verdade.
Ele provavelmente teria que buscar ajuda e, considerando que era meio da noite, numa estrada velha, as tais chances se reduziam para quase nulas. Para piorar, era só a segunda vez que fazia aquela rota! Que espécie de maldição era aquela?!
Haviam passado por uma velha casa abandonada há apenas uns 300 metros de distância. Talvez tivessem que passar a noite lá, o que seria, com certeza um problema. E para explicar a todos aqueles infelizes que haviam pago uma grana por aquele transporte que teriam que ficar ali?
- Celular, pessoas, celular! É para isto que foi inventado essas coisas - e não para ficar tirando fotos! - disse um senhor olhando feio para a filha que aparentava ter algo em torno de 16 anos. Sacou seu celular do bolso. - SEM SINAL! Eu retiro tudo que disse.
- Se acalme, tiozão, que eu devo ter o meu aqui... - tomou a palavra um rapaz de mais ou menos 18 anos. - Eu tenho o meu aqui...mas putz, sem bateria! Que hora pra essa porra acabar!
Um a um, as mais ou menos vinte pessoas ali foram tirando seus celulares apenas para descobrir que estavam sem sinal, bateria ou que o número discado não completava a chamada.
- Isso é um sinal divino. - disse uma senhora, aparentemente religiosa, que logo acrescentou. - Temos de confiar em Deus para resolvermos este problema.
- Temos que confiar é que um desses celulares funcione, pra podermos chamar a polícia ou um mecânico. - respondeu Harley. - Passamos um velho casarão há uns 300 metros. Acho que podemos passar a noite lá.
Os passageiros concordaram, relutantemente, pois em todos passara a idéia de que todo tipo de ladrão poderia aparecer na estrada ao ver um ônibus parado. Seguiram a passos lentos e nesse meio tempo, o motorista já tinha um plano para quando amanhecesse, andar com alguns jovens até a cidade mais próxima.
Era uma dessas casas coloniais que já estava abandonada fazia algumas décadas. Tudo caía aos pedaços e ratos e baratas tomavam conta de seu interior. Os móveis, ainda com lençóis brancos cobrindo-os, pareciam em razoável estado. Havia pelo menos uns dez quartos, era realmente um lugar grande. Cada quarto, uma cama, cômoda e espelho.
Os 'hóspedes' pareciam pouco à vontade e não sem razão.
- Vamos nos acomodando pessoal, porque a noite vai ser aqui mesmo. - Harley disse ao ouvir uma trovoada ao fundo.
Chovia e aquele amontoado de gente estava se perguntando se não seria melhor ficar no ônibus.
- É bom não dar bandeira, havia respondido o motorista.
- Mamãe, está muito escuro... - disse uma garotinha de uns cinco anos com uma nota de choro na voz.
- Eu sei, meu amor, mas mamãe já vai acender um fogo. - falou de volta uma moça que parecia ter algo em torno de 30 anos.
- Eu achei velas! - disse um rapaz negro que estava junto dos que haviam se certificar que a casa estava vazia. - Podemos acendê-las e acho que o tal do André achou cobertores nas cômodas.
- É isso mesmo, tem travesseiros debaixo das camas também. - disse o rapaz cujo celular havia ficado sem bateria - É engraçado, é como se o dono da casa tivesse saído de férias e não voltado ainda. Tem certeza que a casa está desocupada?
- Absoluta - respondeu Harley. - Aqui sempre correm histórias de... - calou-se ao lembrar da presença de crianças no recinto.
- ...fantasmas? - perguntou a menininha que anteriormente reclamara do escuro.
Ele revirou os olhos.
- Tudo bem, eu não tenho medo de fantasmas. - ela disse corajosamente. - Só de baratas. - acrescentou com um pouco de vergonha.
- Julie é uma mocinha muito corajosa! - disse a moça que acompanhava a mãe da menina. - Não é, Lúcia?
- É sim! Minha garotinha está se tornando uma mulher, Patrícia! - disse a mãe, agarrando Julie no colo.
Os outros olharam para a cena e reprimiram seus próprios medos. Se uma garota de cinco anos não tivera medo de passar a noite numa casa abandonada, não seriam eles a fazê-lo.
Engoliram todos seco e foram cada um escolher seus quartos...
- Mas senhor, acalme-se, eu vou consertar o ônibus e em algum tempo estaremos na estrada de novo! - ele respondia às críticas ferozes que lançavam-lhe seus clientes.
Harley não tinha mais paciência para isso. Não era justo! Por que só com ele que aconteciam essas coisas? A fumaça subia do motor do ônibus e ele sabia que o acabara de falar para o enfurecido jovem que viera falar com ele tinha poucas chances de se tornar verdade.
Ele provavelmente teria que buscar ajuda e, considerando que era meio da noite, numa estrada velha, as tais chances se reduziam para quase nulas. Para piorar, era só a segunda vez que fazia aquela rota! Que espécie de maldição era aquela?!
Haviam passado por uma velha casa abandonada há apenas uns 300 metros de distância. Talvez tivessem que passar a noite lá, o que seria, com certeza um problema. E para explicar a todos aqueles infelizes que haviam pago uma grana por aquele transporte que teriam que ficar ali?
- Celular, pessoas, celular! É para isto que foi inventado essas coisas - e não para ficar tirando fotos! - disse um senhor olhando feio para a filha que aparentava ter algo em torno de 16 anos. Sacou seu celular do bolso. - SEM SINAL! Eu retiro tudo que disse.
- Se acalme, tiozão, que eu devo ter o meu aqui... - tomou a palavra um rapaz de mais ou menos 18 anos. - Eu tenho o meu aqui...mas putz, sem bateria! Que hora pra essa porra acabar!
Um a um, as mais ou menos vinte pessoas ali foram tirando seus celulares apenas para descobrir que estavam sem sinal, bateria ou que o número discado não completava a chamada.
- Isso é um sinal divino. - disse uma senhora, aparentemente religiosa, que logo acrescentou. - Temos de confiar em Deus para resolvermos este problema.
- Temos que confiar é que um desses celulares funcione, pra podermos chamar a polícia ou um mecânico. - respondeu Harley. - Passamos um velho casarão há uns 300 metros. Acho que podemos passar a noite lá.
Os passageiros concordaram, relutantemente, pois em todos passara a idéia de que todo tipo de ladrão poderia aparecer na estrada ao ver um ônibus parado. Seguiram a passos lentos e nesse meio tempo, o motorista já tinha um plano para quando amanhecesse, andar com alguns jovens até a cidade mais próxima.
Era uma dessas casas coloniais que já estava abandonada fazia algumas décadas. Tudo caía aos pedaços e ratos e baratas tomavam conta de seu interior. Os móveis, ainda com lençóis brancos cobrindo-os, pareciam em razoável estado. Havia pelo menos uns dez quartos, era realmente um lugar grande. Cada quarto, uma cama, cômoda e espelho.
Os 'hóspedes' pareciam pouco à vontade e não sem razão.
- Vamos nos acomodando pessoal, porque a noite vai ser aqui mesmo. - Harley disse ao ouvir uma trovoada ao fundo.
Chovia e aquele amontoado de gente estava se perguntando se não seria melhor ficar no ônibus.
- É bom não dar bandeira, havia respondido o motorista.
- Mamãe, está muito escuro... - disse uma garotinha de uns cinco anos com uma nota de choro na voz.
- Eu sei, meu amor, mas mamãe já vai acender um fogo. - falou de volta uma moça que parecia ter algo em torno de 30 anos.
- Eu achei velas! - disse um rapaz negro que estava junto dos que haviam se certificar que a casa estava vazia. - Podemos acendê-las e acho que o tal do André achou cobertores nas cômodas.
- É isso mesmo, tem travesseiros debaixo das camas também. - disse o rapaz cujo celular havia ficado sem bateria - É engraçado, é como se o dono da casa tivesse saído de férias e não voltado ainda. Tem certeza que a casa está desocupada?
- Absoluta - respondeu Harley. - Aqui sempre correm histórias de... - calou-se ao lembrar da presença de crianças no recinto.
- ...fantasmas? - perguntou a menininha que anteriormente reclamara do escuro.
Ele revirou os olhos.
- Tudo bem, eu não tenho medo de fantasmas. - ela disse corajosamente. - Só de baratas. - acrescentou com um pouco de vergonha.
- Julie é uma mocinha muito corajosa! - disse a moça que acompanhava a mãe da menina. - Não é, Lúcia?
- É sim! Minha garotinha está se tornando uma mulher, Patrícia! - disse a mãe, agarrando Julie no colo.
Os outros olharam para a cena e reprimiram seus próprios medos. Se uma garota de cinco anos não tivera medo de passar a noite numa casa abandonada, não seriam eles a fazê-lo.
Engoliram todos seco e foram cada um escolher seus quartos...