Ofereceu a colher para ele pegar o sorvete, mas este não moveu um dedo."Bobo", pensou ela, sorrindo para si mesma, enquanto raspava o sorvete e, com cuidado, pousava entre os lábios semi-abertos dele.
Ele sorriu enquanto tentava sorver sem babar o pedaço de sorvete de limão que tinha na boca. Ria principalmente da cara que ela fazia, como se estivesse prestes a aprontar alguma coisa. Como estava, na verdade, não esperou que com um golpe rápido, ela fosse pegá-lo distraído e lambuzar sua cara com aquela deliciosa coisa gelada.
Riram os dois, altos e bobos como palhaços. A sorveteria vazia nem ligou para eles, mas naquele momento, era toda atenção que precisavam. Ela se acalmou, olhando concentrada para seu sorvete, em seguida, fitando-o por uns instantes enquanto ele limpava a cara. Não se aguentou e ambos desataram a gargalhar novamente.
Ele sorriu e terminou de comer seu sorvete em paz, assim como ela, que de vez em quando, se sentia tentada a aprontar, mas já estava no geral mais sossegada. Consultou o relógio e suspirou. Hora de ir embora, disse em voz alta com uma nota triste.
Levantaram-se arrumando a bagunça que haviam feito no lugar. Andaram até a porta e os olhares foram para direções opostas. O sol já se punha e o mar reluzia de cor diferente.
Se abraçaram com uma intensidade fora do comum e quando se afastaram, ele ainda sorria pensando no sorriso dela....
Tuesday, December 12, 2006
Monday, December 11, 2006
Champanhe and a Happy New Year.
O céu estava claro naquela noite de ano novo e os fogos de artifício estavam realmente espetaculares, se vistos da praia. A garota estava sozinha na praia, e o champanhe que ela discretamente pegara já estava no fim.
Não gostava de champanhe, mal bebera dois goles. Não entendia direito porque estava fazendo aquilo, sua boca estava mais seca do que antes. As ondas lambiam os pés dela, sentada tão na beira d'água que estava.
De certa forma, assim ela sacudia a calmaria que se apossara dela, era a natureza lembrando-a de que estava viva, tanto quanto as ondas que quebravam e deixavam o ambiente com o som perfeito para dormir.
As estrelas pontilhavam o céu, disputando o brilho com os últimos fogos e ele se aproximou da garota com um sorriso. Não estava bêbado, disse para si mesmo, apenas mais corajoso. Fora só uma garrafa, só uma.
Ele sentou ao lado dela, e quando ela lhe ofereceu o champanhe, viu que ela era a garota com quem gostaria de passar o resto da noite e, quem sabe, da sua vida.
Não gostava de champanhe, mal bebera dois goles. Não entendia direito porque estava fazendo aquilo, sua boca estava mais seca do que antes. As ondas lambiam os pés dela, sentada tão na beira d'água que estava.
De certa forma, assim ela sacudia a calmaria que se apossara dela, era a natureza lembrando-a de que estava viva, tanto quanto as ondas que quebravam e deixavam o ambiente com o som perfeito para dormir.
As estrelas pontilhavam o céu, disputando o brilho com os últimos fogos e ele se aproximou da garota com um sorriso. Não estava bêbado, disse para si mesmo, apenas mais corajoso. Fora só uma garrafa, só uma.
Ele sentou ao lado dela, e quando ela lhe ofereceu o champanhe, viu que ela era a garota com quem gostaria de passar o resto da noite e, quem sabe, da sua vida.
Firmamento...
Encostou-se no parapeito da janela, ressabiada de seu comportamento aquela tarde. Parecia feliz, tão feliz que até a Lua sorria diante daquele sorriso dela. Havia um tom de puro, como calmaria após tempestade que ela não esperava.
A Lua acompanhava o balé que o vento fazia com o cabelo já ondulado da menina. Não deixava de ser bonito, à sua maneira. Seu sorriso lhe causava inveja, ele radiava uma alegria que desde séculos atrás ela não conseguia mais se fazer atingir. Ah, a maldita Revolução Industrial...
Era uma menina e apenas uma menina, mas a Lua enxergava mais do que isso. Duas mulheres quando se encaram, sabem exatamente o que se passa com uma e outra.
Pois, no fundo, eram elas muito parecidas.
Enquanto o Sol emprestava seu brilho à Lua, apenas ele poderia fazer com que ela sorrisse daquele jeito...
E assim, as duas estavam completas.
A Lua acompanhava o balé que o vento fazia com o cabelo já ondulado da menina. Não deixava de ser bonito, à sua maneira. Seu sorriso lhe causava inveja, ele radiava uma alegria que desde séculos atrás ela não conseguia mais se fazer atingir. Ah, a maldita Revolução Industrial...
Era uma menina e apenas uma menina, mas a Lua enxergava mais do que isso. Duas mulheres quando se encaram, sabem exatamente o que se passa com uma e outra.
Pois, no fundo, eram elas muito parecidas.
Enquanto o Sol emprestava seu brilho à Lua, apenas ele poderia fazer com que ela sorrisse daquele jeito...
E assim, as duas estavam completas.
Preto e Branco.
Ela fixou o olhar naquela parede tão estranha. Era mais do que uma parede, mais do que qualquer coisa que ela já tinha colocado seu olhar. As faixas pretas e brancas se intercalavam de uma forma magicamente harmoniosa.
A menina esfregou suas vistas já cansadas e fascinadas pelo estranho mural à sua frente. Não havia mudado nada, e ela tocou no concreto tão paradoxalmente firme e pastoso. Era tão bizarro! Tanto quanto àquela combinação aparentemente simples de cores que fizeram ali.
Não era possível que fosse apenas coincidência, ou apenas um cálculo simples do rapaz genial que fizera aquele trabalho. Não, haveria certamente de ter algo mais que um padrão, algo que mostrasse o quanto valia.
A parede a encarava de volta com olhos de pedra, ela sabia, ela sentia. As listras ondulavam um pouco - ou talvez, fosse efeito de uma vista potencialmente exausta. Era algo tão mágico e seu rosto acompanhava graciosamente os movimentos que elas traçavam para lugar algum, ou, talvez, para algum lugar.
Uma sequencia de números e um nome. Era isso que elas queriam dizer, era isso. Elas a levaram até seu criador.
Ela anotou no bloco de papel o nome do cara que conseguira fasciná-la e hipnotizá-la. Sua mente conseguia enxergá-lo perfeitamente entre as listras, com um sorriso de cristal.
Mas ela sabia que, assim que o transe no qual se encontrava passasse, ela nunca mais tocaria no assunto.
A menina esfregou suas vistas já cansadas e fascinadas pelo estranho mural à sua frente. Não havia mudado nada, e ela tocou no concreto tão paradoxalmente firme e pastoso. Era tão bizarro! Tanto quanto àquela combinação aparentemente simples de cores que fizeram ali.
Não era possível que fosse apenas coincidência, ou apenas um cálculo simples do rapaz genial que fizera aquele trabalho. Não, haveria certamente de ter algo mais que um padrão, algo que mostrasse o quanto valia.
A parede a encarava de volta com olhos de pedra, ela sabia, ela sentia. As listras ondulavam um pouco - ou talvez, fosse efeito de uma vista potencialmente exausta. Era algo tão mágico e seu rosto acompanhava graciosamente os movimentos que elas traçavam para lugar algum, ou, talvez, para algum lugar.
Uma sequencia de números e um nome. Era isso que elas queriam dizer, era isso. Elas a levaram até seu criador.
Ela anotou no bloco de papel o nome do cara que conseguira fasciná-la e hipnotizá-la. Sua mente conseguia enxergá-lo perfeitamente entre as listras, com um sorriso de cristal.
Mas ela sabia que, assim que o transe no qual se encontrava passasse, ela nunca mais tocaria no assunto.
Sunday, December 10, 2006
Só pra ver se te encontro...
A verdade é que estava carente. Ficava colocando nicks desesperados naquele aparelho de mensagem instantânea, na esperança de que alguém viesse perguntar o que havia com ela. A verdade, claro, é que não havia nada que pudesse interessar à ninguém, e ainda assim...
O Chapéu.
And now you say that you love me...
O jukebox continuou a tocar aquele blues indefinidamente. Um moço estereotipado resolveu levantar da mesa do bar e tirou uma moeda antiga do bolso, finalmente trocando a música. Ele usava um chapéu - quantos homens, especialmente jovens, usam chapéu hoje em dia? Era um modelo meio anos cinquenta, de um charme inigualável. Tinha costeletas um tanto quanto ralas que, longe de depreciar, só aumentavam a admiração que tinha-se por ele.
Ele virou-se para mim e me cumprimentou com um aceno, levando a mão ao chapéu que usava.
Naquela noite, ele e apenas ele habitou meus sonhos.
O jukebox continuou a tocar aquele blues indefinidamente. Um moço estereotipado resolveu levantar da mesa do bar e tirou uma moeda antiga do bolso, finalmente trocando a música. Ele usava um chapéu - quantos homens, especialmente jovens, usam chapéu hoje em dia? Era um modelo meio anos cinquenta, de um charme inigualável. Tinha costeletas um tanto quanto ralas que, longe de depreciar, só aumentavam a admiração que tinha-se por ele.
Ele virou-se para mim e me cumprimentou com um aceno, levando a mão ao chapéu que usava.
Naquela noite, ele e apenas ele habitou meus sonhos.
Da série "propagandas geniais"...
And you wanted to dance, so I asked you to dance, but fear is in your soul.
Some people call it 'one night stand' but we can call it paradise.
Ultimamente, não tenho escrito muito. Não consigo mais, estou perdendo o jeito com as palavras e o teclado. Mais pra lá do que pra cá, eu ando pensando nos rumos que minha vida tem tomado e digo pra mim mesma que eu estou feliz.
O mundo conspira para a loucura, eu tenho certeza absoluta disso.
Some people call it 'one night stand' but we can call it paradise.
Ultimamente, não tenho escrito muito. Não consigo mais, estou perdendo o jeito com as palavras e o teclado. Mais pra lá do que pra cá, eu ando pensando nos rumos que minha vida tem tomado e digo pra mim mesma que eu estou feliz.
O mundo conspira para a loucura, eu tenho certeza absoluta disso.
Nova Era.
Havia uma expectativa mal reprimida no rosto. Pensamentos confusos passavam pela cabeça dela, e a maior parte, ela tinha certeza de que poderia descartar. Não iria chorar, não iria chorar, ela havia prometido a si mesma!
Faria o melhor com as cartas que fossem oferecidas.
Faria o melhor com as cartas que fossem oferecidas.
A Question of Honor.
Ela olhou no relógio, já dera quase seu horário por ali. Seus gestos não estavam inseguros, apesar de que seu coração disparara e seus pensamentos passavam rápido demais para que ela pudesse processar.
Sorrira, um sorriso quase triste, mas só quase. Porque tinha certeza de que, dessa vez, estava fazendo as coisas certas. Cansara de trair seus ideais, cansara de brincar de se desconstruir pra ver até que ponto aguentava. Sua virtude se estraçalhara, sua honra jazia esquecida e ela caíra ao ver quebrar o coração de outrem.
Não daquela vez. Diria a verdade, embora seu compromisso não fosse com esta. Sua lealdade para com os amigos eram mil vezes mais importante e, se ela tivesse que mentir para protegê-los, ela mentiria.
Tum-tá, o coração apaixonado declarava que era o momento, que ela devia seguir em frente, com honra, pois só assim seria livre. Como uma fênix, a garota renascia das cinzas de um passado que ela preferia esquecer. Como uma fênix, ela descobria que seus ideais não haviam morrido, por mais que ela os tivesse depenado. Eles ainda ardiam no seu peito e hoje era o dia de colocar tudo a prova.
Como uma fênix, ela estava preparada e finalmente, seguiria para voar.
Sorrira, um sorriso quase triste, mas só quase. Porque tinha certeza de que, dessa vez, estava fazendo as coisas certas. Cansara de trair seus ideais, cansara de brincar de se desconstruir pra ver até que ponto aguentava. Sua virtude se estraçalhara, sua honra jazia esquecida e ela caíra ao ver quebrar o coração de outrem.
Não daquela vez. Diria a verdade, embora seu compromisso não fosse com esta. Sua lealdade para com os amigos eram mil vezes mais importante e, se ela tivesse que mentir para protegê-los, ela mentiria.
Tum-tá, o coração apaixonado declarava que era o momento, que ela devia seguir em frente, com honra, pois só assim seria livre. Como uma fênix, a garota renascia das cinzas de um passado que ela preferia esquecer. Como uma fênix, ela descobria que seus ideais não haviam morrido, por mais que ela os tivesse depenado. Eles ainda ardiam no seu peito e hoje era o dia de colocar tudo a prova.
Como uma fênix, ela estava preparada e finalmente, seguiria para voar.
Gatunamente.
Ela sorriu para si mesma, com aqueles dentes brancos ligeiramente estranhos que assustavam os passantes. "Quem seria o primeiro, quem, quem?", ansiava perguntar para os astros que a observavam do firmamento.
Deitada feito um gato de rua em cima do muro do casarão, ela esperava os primeiros tolos que se aventurariam por ali.
Deitada feito um gato de rua em cima do muro do casarão, ela esperava os primeiros tolos que se aventurariam por ali.
Saturday, December 09, 2006
The Road That Leads to Anywhere.

Ela se concentrou na estrada pela primeira vez na sua vida, totalmente despida de qualquer expectativa sobre onde esta iria levá-la. Aceitaria o que viesse, toparia de frente com qualquer obstáculo que aparecesse.
Que demorasse o quanto fosse necessário para ela chegar no lugar, qualquer lugar que a estrada levasse. Pra quem não sabe onde quer ir, a graça está sempre na viagem em si.
Seu sorriso era de alguma forma inexplicável, puro. Inocente - era tão simples viver a vida assim. Sabia que outros a invejavam por conseguir levar isso adiante, essa... mochilagem pelo próprio universo. Só queria ser feliz, a todo custo.
Se a vida queria que ela jogasse com um Ás de Espadas, ela jogaria, se a vida não desse mais do que um três de paus, ela daria um jeito de ganhar o jogo - ou de, pelo menos, se divertir com ele.
A estrada estava convidativa naquele fim de tarde iluminado. Ela parou um instante o carro e terminou calmamente de tomar seu café que comprara no último posto, há quilômetros dali. Colocou o chiclet de menta na boca e estourou uma bola, melecando a cara.
Estava feliz, e quando ela pisou no acelerador, Highway Star pareceu fazer todo o sentido do mundo.
Friday, December 08, 2006
Smile.
Ela ainda mantinha aquele sorriso, a despeito de tudo que acontecera. Todas as dificuldades, todas as coisas estranhas e ruins que haviam acontecido e ela ainda conseguia sorrir daquele jeito.
Ele se perguntava se não havia um quê de retardamento naquela garota. O nariz dela nunca estava abaixado, como se, mesmo com todos os erros que cometera, ela ainda fosse orgulhosa de cada momento.
E aquele sorriso que irritava a meio mundo, um sorriso abertamente franco, como se, por pior que fosse, ela estivesse disposta a aproveitar a situação de forma favorável. Mesmo que estivesse na corda bamba, se equilibrando num fiozinho com uma sombrinha engraçada.
Sorria, e sorriria até que caísse, espatifando no chão. =)
Ele se perguntava se não havia um quê de retardamento naquela garota. O nariz dela nunca estava abaixado, como se, mesmo com todos os erros que cometera, ela ainda fosse orgulhosa de cada momento.
E aquele sorriso que irritava a meio mundo, um sorriso abertamente franco, como se, por pior que fosse, ela estivesse disposta a aproveitar a situação de forma favorável. Mesmo que estivesse na corda bamba, se equilibrando num fiozinho com uma sombrinha engraçada.
Sorria, e sorriria até que caísse, espatifando no chão. =)
Thursday, December 07, 2006
Ao Anjo da Cura. =)
Ela abriu um sorriso enorme quando o viu novamente. Tinha a sensação de que ninguém no mundo seria mais confiável do que aquele moço que se encontrava a sua frente.
Era velho, tinha os olhos cansados e usava óculos. Seu sorriso era engraçado, com um tom permanentemente sarcástico, embora, fosse uma raridade ela o ver sorrindo. Normalmente, ele trazia uma cara de preocupação, uma nota de seriedade na voz, e uma expressão às vezes de até reprovação.
Ela sabia que, a despeito de tudo isso, ele era a pessoa mais genial para se ter do lado, qualquer momento que fosse. De vez em quando, ele bancava o velho antiquado, sempre pedindo desculpas por qualquer coisa, e principalmente, por existir. Tinha vontade de bater na cara dele e gritar no ouvido: "Não, EU QUE AGRADEÇO por você estar aqui!".
Rafael, o Anjo da Cura. Mais do que nunca, ela poderia entender porque ele recebera essa alcunha.
Era velho, tinha os olhos cansados e usava óculos. Seu sorriso era engraçado, com um tom permanentemente sarcástico, embora, fosse uma raridade ela o ver sorrindo. Normalmente, ele trazia uma cara de preocupação, uma nota de seriedade na voz, e uma expressão às vezes de até reprovação.
Ela sabia que, a despeito de tudo isso, ele era a pessoa mais genial para se ter do lado, qualquer momento que fosse. De vez em quando, ele bancava o velho antiquado, sempre pedindo desculpas por qualquer coisa, e principalmente, por existir. Tinha vontade de bater na cara dele e gritar no ouvido: "Não, EU QUE AGRADEÇO por você estar aqui!".
Rafael, o Anjo da Cura. Mais do que nunca, ela poderia entender porque ele recebera essa alcunha.
Wednesday, December 06, 2006
Orgulho & Preconceito.
Ela estava com os olhos pousados na tela do computador. Duas imagens brincavam de roda em sua mente, ela tinha um rapaz lhe dizendo coisas bonitas numa janelinha de MSN, uma amiga que a todo custo tentava animá-la, e um blog aberto na página alternada.
De vez em quando, pulava para a tela inicial do messenger, e encarava o nome dela. No fundo, a invejava. A amava, a invejava, e gostaria de ser próxima a ela de novo. Como primas deveriam ser, como sempre deveriam ter sido.
Havia uma questão de orgulho ali, algo que seu ego sempre inflava e furava com precisão. Sempre tivera orgulho de ser prima dela, sempre tivera orgulho das coisas que fazia e inspirava-se nela. Tocava teclado por influência dela, tinha essa relação tão poética com a vida, muito por causa dela. Por causa dela, aprendera a admitir que não odiava dançar, apenas era muito parva para tentar e aceitar suas falhas.
Tinha, claro, orgulho de suas coisas e seus progressos. Príncipes, sua escrita, seu tempo, seus gostos. Principalmente, orgulho de seu blog. Por isso, estava ali, desmontada em seu próprio campo, com a alma tocada e lágrimas a beira dos olhos, já afetadas por sua prévia irritante sensibilidade.
Porque ela a vencia, mesmo que estivesse no seu próprio jogo.
E, justamente, por isso, ela estava tão orgulhosa.
www.folha-de-rascunho.blogspot.com
De vez em quando, pulava para a tela inicial do messenger, e encarava o nome dela. No fundo, a invejava. A amava, a invejava, e gostaria de ser próxima a ela de novo. Como primas deveriam ser, como sempre deveriam ter sido.
Havia uma questão de orgulho ali, algo que seu ego sempre inflava e furava com precisão. Sempre tivera orgulho de ser prima dela, sempre tivera orgulho das coisas que fazia e inspirava-se nela. Tocava teclado por influência dela, tinha essa relação tão poética com a vida, muito por causa dela. Por causa dela, aprendera a admitir que não odiava dançar, apenas era muito parva para tentar e aceitar suas falhas.
Tinha, claro, orgulho de suas coisas e seus progressos. Príncipes, sua escrita, seu tempo, seus gostos. Principalmente, orgulho de seu blog. Por isso, estava ali, desmontada em seu próprio campo, com a alma tocada e lágrimas a beira dos olhos, já afetadas por sua prévia irritante sensibilidade.
Porque ela a vencia, mesmo que estivesse no seu próprio jogo.
E, justamente, por isso, ela estava tão orgulhosa.
www.folha-de-rascunho.blogspot.com
Tuesday, December 05, 2006
The Mourning After.
Tá-tum-tá-tum-tá-tum-tum-tá-tum-tá.
Ela ainda não havia se levantado, embora passasse do meio-dia. Seu coração brincava com o ritmo acelerado que parecia ter assumido desde o dia anterior. A casa estava movimentada e, desde o momento em que tinha acordado, já ouvira três brigas de família. Ela não queria levantar.
Abriu lentamente os olhos, esfregando-os cuidadosamente com as costas das mãos. Não queria nem lavar o rosto. Abraçou-se ao travesseiro e cobriu-se melhor com os lençóis. Sua mente ainda vagueava procurando lembrar o que sonhara.
Tinha sido um sonho confuso, e associado à músicas que ela ouvira recentemente. Quase poderia se lembrar de uma passagem que brincava perigosamente com seus valores mais preciosos, mas ela escapava por entre os dedos finos de sua memória.
Os barulhos na casa se tornaram mais nítidos, mas ela sentia que, apesar de ter um dia cheio pela frente, aquele dia, ela poderia considerar como morto.
Assim como seu estado de espírito.
Ela ainda não havia se levantado, embora passasse do meio-dia. Seu coração brincava com o ritmo acelerado que parecia ter assumido desde o dia anterior. A casa estava movimentada e, desde o momento em que tinha acordado, já ouvira três brigas de família. Ela não queria levantar.
Abriu lentamente os olhos, esfregando-os cuidadosamente com as costas das mãos. Não queria nem lavar o rosto. Abraçou-se ao travesseiro e cobriu-se melhor com os lençóis. Sua mente ainda vagueava procurando lembrar o que sonhara.
Tinha sido um sonho confuso, e associado à músicas que ela ouvira recentemente. Quase poderia se lembrar de uma passagem que brincava perigosamente com seus valores mais preciosos, mas ela escapava por entre os dedos finos de sua memória.
Os barulhos na casa se tornaram mais nítidos, mas ela sentia que, apesar de ter um dia cheio pela frente, aquele dia, ela poderia considerar como morto.
Assim como seu estado de espírito.
Monday, December 04, 2006
A Hard Day's Night
As palavras dele ecoavam na mente dela como um CD arranhado e a imagem dele dançava em sua mente com uma nota de desespero.
Ela havia corrido o caminho todo de volta, com o vento secando as lágrimas que cismavam em cair. O chão ainda estava molhado por causa da chuva que caíra a tarde toda, e seus pés pareciam achar cada poça d'água na rua.
Ainda sentia a pele dele e ainda sentia o cheiro dele que ficara em sua camisa embriagando seus sentidos. O coração disparado ressoava na caixa toráxica, mas ela parecia ignorá-lo solenemente, enquanto secava os pés no tapete e abria a porta de casa.
Seu rosto ainda estava lívido com a provação que passara, sua cabeça rodava e ela queria um copo de água para aliviar a secura dos lábios. Seus olhos focaram novamente e a menina se jogou na cama, desejando nunca mais acordar.
Ela havia corrido o caminho todo de volta, com o vento secando as lágrimas que cismavam em cair. O chão ainda estava molhado por causa da chuva que caíra a tarde toda, e seus pés pareciam achar cada poça d'água na rua.
Ainda sentia a pele dele e ainda sentia o cheiro dele que ficara em sua camisa embriagando seus sentidos. O coração disparado ressoava na caixa toráxica, mas ela parecia ignorá-lo solenemente, enquanto secava os pés no tapete e abria a porta de casa.
Seu rosto ainda estava lívido com a provação que passara, sua cabeça rodava e ela queria um copo de água para aliviar a secura dos lábios. Seus olhos focaram novamente e a menina se jogou na cama, desejando nunca mais acordar.
Pra ser sincera...
“Amamos tão pouco e tão mal, com uma metade ou até mesmo com um quarto de nós mesmos. E amamos, no outro, alguns pedaços escolhidos, os mais conhecidos, aqueles que nos causam menos medo. É tão raro amarmos alguém por inteiro, com aquilo que nos agrada e com aquilo que não nos agrada. É tão raro sermos amados por inteiro, com nossas cavidades de sombra, com nossos dorsos de luz.” (Jean-Yves Leloup)
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Olhou-se nos próprios olhos do espelho. Tinha a cara cansada, inchada de tanto chorar. Seus cabelos estavam despenteados, de quem não pretendia sair da cama naquela manhã cinzenta.
Ela pensou no que lhe acontecia e seus olhos ameaçaram encher-se de água. Autopiedade, o sentimento mais miserável do mundo. Seu eu-no-espelho fez uma careta:
- Onde está a menina que todo dia de manhã encara os desafios com um sorriso no rosto?
Ela encarou-se com um jeito derrotista que não lhe caia bem.
- Morreu, assim que ela mudou tão bruscamente suas atitudes e destruiu o que havia de belo ao seu redor.
O reflexo a fitou de volta, com um olhar mais que indignado.
- Não sei porque me dou ao trabalho. Você me enoja.
Com uma expressão de ódio, ela cruzou os braços e sumiu, deixando aquele protótipo de Raíssa sozinha com seu reflexo não mais animado.
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Olhou-se nos próprios olhos do espelho. Tinha a cara cansada, inchada de tanto chorar. Seus cabelos estavam despenteados, de quem não pretendia sair da cama naquela manhã cinzenta.
Ela pensou no que lhe acontecia e seus olhos ameaçaram encher-se de água. Autopiedade, o sentimento mais miserável do mundo. Seu eu-no-espelho fez uma careta:
- Onde está a menina que todo dia de manhã encara os desafios com um sorriso no rosto?
Ela encarou-se com um jeito derrotista que não lhe caia bem.
- Morreu, assim que ela mudou tão bruscamente suas atitudes e destruiu o que havia de belo ao seu redor.
O reflexo a fitou de volta, com um olhar mais que indignado.
- Não sei porque me dou ao trabalho. Você me enoja.
Com uma expressão de ódio, ela cruzou os braços e sumiu, deixando aquele protótipo de Raíssa sozinha com seu reflexo não mais animado.
Sunday, December 03, 2006
Feliz Ano Velho;
Ela se levantou do banco da praça, jovem ainda nos seus anos vividos. Tinha um sorriso no canto da boca, uma lágrima no canto do olho, e nada mais precisava ser dito. O rapaz que estava por perto, era ainda mais novo, imaturo no alto de sua sabedoria.
- Já vai? - ele disse, com um ar teatral nos olhos.
- É. - ela respondeu, espanando uma poeira invisível da camisa rendada. Seus olhos vibravam com a água que os deixava cristalinos. - Tanta coisa, tão pouco tempo...
Ele apenas sorriu. Um sorriso culpado, de quem sabe que magoou e resolve não mais voltar no assunto. Talvez para melhor, talvez para pior, alguma coisa havia mudado na criança moça que estava ali.
- Então... - começou ele, sem saber exatamente o que queria dizer.
- Então...tchau. - ela terminou com o lápis de olho levemente borrado pelas lágrimas que escorriam.
O choro não havia tirado o sorriso da boca dela, era algo como se fosse chuva e sol caindo numa praia ao entardecer, se é que tal sensação existe para ser comparada.
- O que você vai fazer da vida agora? - ele perguntou, indagando se ela ficaria bem.
- O que eu vou fazer da vida agora? Já passei dessa fase. Agora, estou mais preocupada com o que a vida vai fazer de mim. - e sorriu.
Definitivamente, algo nela havia se quebrado.
Feliz Ano Velho.
- Já vai? - ele disse, com um ar teatral nos olhos.
- É. - ela respondeu, espanando uma poeira invisível da camisa rendada. Seus olhos vibravam com a água que os deixava cristalinos. - Tanta coisa, tão pouco tempo...
Ele apenas sorriu. Um sorriso culpado, de quem sabe que magoou e resolve não mais voltar no assunto. Talvez para melhor, talvez para pior, alguma coisa havia mudado na criança moça que estava ali.
- Então... - começou ele, sem saber exatamente o que queria dizer.
- Então...tchau. - ela terminou com o lápis de olho levemente borrado pelas lágrimas que escorriam.
O choro não havia tirado o sorriso da boca dela, era algo como se fosse chuva e sol caindo numa praia ao entardecer, se é que tal sensação existe para ser comparada.
- O que você vai fazer da vida agora? - ele perguntou, indagando se ela ficaria bem.
- O que eu vou fazer da vida agora? Já passei dessa fase. Agora, estou mais preocupada com o que a vida vai fazer de mim. - e sorriu.
Definitivamente, algo nela havia se quebrado.
Feliz Ano Velho.
Saturday, December 02, 2006
Hm...
Moleca do coração partido, tão mal que nem uma linha pode escrever direito.
Obrigada pela compreensão, deixe seu recado após o fim do post.
Obrigada pela compreensão, deixe seu recado após o fim do post.
Friday, December 01, 2006
Scarborough Fair.
Are you going to Scarborough Fair?
Parsley, sage, rosemary and thyme.
Remember me to one who lives there,
For she once was a true love of mine.
MAN
Tell her to make me a cambric shirt,
Parsley, sage, rosemary and thyme,
Without any seam nor needlework,
And then she'll be a true love of mine.
Tell her to wash it in yonder dry well,
Parsley, sage, rosemary and thyme,
Which never sprung water nor rain ever fell,
And then she'll be a true love of mine.
Tell her to dry it on yonder thorn,
Parsley, sage, rosemary and thyme,
Which never bore blossom since Adam was born,
And then she'll be a true love of mine.
Ask her to do me this courtesy,
Parsley, sage, rosemary and thyme,
And ask for a like favour from me,
And then she'll be a true love of mine.
BOTH
Have you been to Scarborough Fair?
Parsley, sage, rosemary and thyme,
Remember me from one who lives there,
For he once was a true love of mine.
WOMAN
Ask him to find me an acre of land,
Parsley, sage, rosemary and thyme,
Between the salt water and the sea-sand,
For then he'll be a true love of mine.
Ask him to plough it with a lamb's horn,
Parsley, sage, rosemary and thyme,
And sow it all over with one peppercorn,
For then he'll be a true love of mine.
Ask him to reap it with a sickle of leather,
Parsley, sage, rosemary and thyme,
And gather it up with a rope made of heather,
For then he'll be a true love of mine.
When he has done and finished his work,
Parsley, sage, rosemary and thyme,
Ask him to come for his cambric shirt,
For then he'll be a true love of mine.
BOTH
If you say that you can't, then I shall reply,
Parsley, sage, rosemary and thyme,
Oh, Let me know that at least you will try,
Or you'll never be a true love of mine.
Love imposes impossible tasks,
Parsley, sage, rosemary and thyme,
But none more than any heart would ask,
I must know you're a true love of mine.
-------------
Criança...
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