Foi como se me chamassem à janela. Estava frio, eu estava toda enrolada em cobertas quentes e roupas que cheiravam à naftalina. Estava doente também, e por isso, talvez senti-me tentada à fechar o vidro, antes que aquela imagem me capturasse irremediavelmente.
Esqueci-me de todos os compromissos, das pessoas que chamavam minha atenção em outro lugar, dos medos que tinha, das incertezas e inseguranças pelas quais passava. Tudo aquilo parecia tão pequeno diante do sol que se punha atrás dos morros. O prédio vizinho atrapalhava um tanto minha visão e eu troquei de posição para uma mais favorável.
Via a rua, via pessoas correndo apressadas para seus destinos e seus ônibus lotados de fim de tarde. A linha da máquina parecia um formigueiro e eu quase me acostumara a isso. Nenhum trem vinha e os trilhos refletiam o brilho final daquele sol morrente.
Ninguém se importava, apenas eu. Talvez nem eu, talvez fosse isso que fizesse daquele poente tão fascinante e tão mágico, tão meu. O céu avermelhava-se ao redor e contrastava com as nuvens brancas, o tom de amarelo realmente parecia diluir-se no pouco de azul que restava. Um pouco mais longe, a noite já assumia seu lugar, tendo direito até à estrelas cintilantes.
Olhei para baixo, constatei que havia um homem, não muito velho, nem muito jovem, parado observando a mesma coisa que eu. Ao menos, eu queria pensar que ele estava observando aquele pôr-do-sol, queria a certeza de que não era a única a enxergar aquela magia que se desvanecia no ar como puro sonho.
Sorri para ele. Seja lá como fosse, valia a pena.
Esqueci-me de todos os compromissos, das pessoas que chamavam minha atenção em outro lugar, dos medos que tinha, das incertezas e inseguranças pelas quais passava. Tudo aquilo parecia tão pequeno diante do sol que se punha atrás dos morros. O prédio vizinho atrapalhava um tanto minha visão e eu troquei de posição para uma mais favorável.
Via a rua, via pessoas correndo apressadas para seus destinos e seus ônibus lotados de fim de tarde. A linha da máquina parecia um formigueiro e eu quase me acostumara a isso. Nenhum trem vinha e os trilhos refletiam o brilho final daquele sol morrente.
Ninguém se importava, apenas eu. Talvez nem eu, talvez fosse isso que fizesse daquele poente tão fascinante e tão mágico, tão meu. O céu avermelhava-se ao redor e contrastava com as nuvens brancas, o tom de amarelo realmente parecia diluir-se no pouco de azul que restava. Um pouco mais longe, a noite já assumia seu lugar, tendo direito até à estrelas cintilantes.
Olhei para baixo, constatei que havia um homem, não muito velho, nem muito jovem, parado observando a mesma coisa que eu. Ao menos, eu queria pensar que ele estava observando aquele pôr-do-sol, queria a certeza de que não era a única a enxergar aquela magia que se desvanecia no ar como puro sonho.
Sorri para ele. Seja lá como fosse, valia a pena.