Eu sabia que esse dia chegaria. O dia em que eu o conheceria e o veria passar na minha frente, não sei se com aquela fagulha de mútuo reconhecimento de que sim, era eu. Aquela que o iria amar e o fazer feliz pelo resto de sua vida - ou então, que deveria.
Chovia, como sempre. Não havia um único fim de ano que não chovesse em minha vida. Os fogos de artifício estouravam como supernovas no céu e uma chuva de estrelas era derramada sobre nossas cabeças. Eu estava lá, maravilhada com o espetáculo, que parecia divino, mas era tão somente humano.
Divino de verdade era ele, ao meu lado, como quem nada quer. Com o cachorro de poucos meses no colo, adormecido, num outro mundo, à parte das piruetas que aconteciam lá em cima. Olhávamos de esguelha um para o outro, tentando nos identificar mutuamente.
Não, não nos conhecíamos e não chegaríamos a travar esse tipo de intimidade. As luzes refletiam uma aliança na mão esquerda, e eu não era aquela pessoa que gostava de destruir lares felizes. Me perguntei, no entanto, porque ela não o acompanhava.
Os fogos rugiam em resposta. Sorri de forma melancólica e fiquei com os pés mergulhados na areia, esperando que ela me engulisse e poupasse de ver que alguém já tinha capturado-o.
Ele me encarou, os olhos fixos nos meus. Em seu reflexo, podia ver tudo aquilo que teríamos sido e eu fiquei me perguntando se ele teria visto a mesma coisa nos meus, embaçados já pelas lágrimas.
Espera inútil. O show acabou e ele, lentamente, como que hesitante, foi embora da praia e, subsequentemente, da minha vida.
Thursday, January 01, 2009
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