Tuesday, May 01, 2007

Lembre-me.

Ela não lembrava mais como era ficar sozinha.

Era um pensamento angustiante, para falar a verdade, 'não saber como é ficar sozinha', até porque, fora assim que passara boa parte de sua vida. Como, de repente, esquecera como era a sensação de não ter ninguém ao seu lado?

Era muito estranho. Naqueles dia, ela saíra para tentar recuperar essa memória, ficar sozinha e em paz consigo mesma. Nada, nem mesmo uma mísera impressão de como seria passou-lhe pela cabeça.

Vestiu uma roupa curta, apesar da noite estar razoavelmente fresca. Queria sentir seu corpo com frio - aquela velha sensação de estar viva. Bermuda curta, camiseta regata, chinelo de dedo. Olhou pela janela e viu aquela estrela brilhando forte, sentiu ainda mais vontade de ficar ali embaixo.

O fim de tarde tinha gosto de nostalgia, já a noite, de novidade. Sentou-se na calçada com um ar de pensativa e tentada a falar consigo mesma. Se assustou. Não estava sozinha há tanto tempo que ainda inventava truques para se sentir acompanhada. Era estranha.

Ouvia música para esquecer que estava sozinha. Dividia-se em duas para não estar sozinha. Assustada, ela percebeu que raramente em sua vida estivera sozinha.

Fechou os olhos e abraçou os próprios joelhos. A lua a chamou dali de cima, e ela não ouviu seu chamado. Os ventos quiseram soprar-lhe histórias em seu ouvido, a terra quis esquentar seus pés. Ela a tudo negou e quando finalmente voltou, viu que estava, sim, sozinha.

Ela teve frio, como nunca tivera na vida. Depois, se sentiu em paz como nunca estivera na vida. Não tinha ninguém a esperando, não tinha ninguém a chamando. Era ela. Não se sentia parte de nada, nem sentia necessidade de fazer parte de nada.

Sorriu e seu sorriso derreteu mundos. Quando voltou ao normal, seu cabelo, bagunçado pelo vento que em vão tentara lhe tirar a concentração, estava mais bonito que nunca. Seus olhos brilhavam com a luz que a Lua tentava-lhe atirar sobre a cabeça para que olhasse para cima. Seus pés estavam quentes, prontos para continuarem a caminhada pela longa estrada.

Carros passaram, pássaros voaram e um cachorro latiu. A menina, do alto de seus quinze e poucos anos, com aquelas roupas de criança e um sorriso enorme no rosto, então, sumiu.

2 comments:

Anonymous said...

Quem precisa ler esse monte de autores q se estuda se posso ler esses textos ótimos da minha sobrinha querida???

Anonymous said...

Oi. ^^
Vou deixar um recadim meio corrido. Tô gripada e a cabeça tá lenta.
Os textos, como sempre, estão maravilhoso.
Depois quero reler, qdo o cérebro tiver mais lúcido.
E, como de praxe, mais PSnM.

http://www.freewebs.com/expressohogwarts/DP/memory/cap24.htm

Com direito a Ludo no final para a sua alegria

beijos