Wednesday, December 12, 2007

Lembro-me que muitas vezes, os melhores momentos da minha vida eram quando eu ia dormir. Não havia nada que me esperasse no dia seguinte e eu embalava num sono de sonhos psicodélicos, fantasiosos, amores perdidos e romances idealizados.

Quando acordava, frustrada porque tudo que vi e vivi foi só um sonho - mas, ora, quem disse que os sonhos não são tão vivos e reais quanto a realidade? - eu anotava cada pequeno detalhe que me lembrasse num caderno.

Era um desses cadernos de papelarias quaisquer. Não tinha nada de especial. Fiz isso durante algum tempo, bastante tempo, mais do que consigo contabilizar. Muitas vezes esses sonhos me rendiam belos contos que eu deixava ali para ninguém-eu ver.

Até hoje consigo me lembrar da maioria deles, mas talvez a essência, o grande barato de ser um sonho muitas vezes perdia-se entre as páginas anormalmente brancas daquele caderno barato. Não tinha as exatas sensações. Quem pode descrever afinal o que é voar?

Nunca deixei de sonhar, mas minhas noites tem ficado curtas. Curtas e cada vez mais cheias de turbulências. Sempre detestei quando a vida real invadia o sonho.

O sonhar ainda será meu último refúgio, meu último eu a cair por Terra.

[todo o meu passado]

1 comment:

Anonymous said...

Só queria registrar que achei seu texto de hoje muito bonito =)

Amo você

Thiago