Ele era malvado, mal-humorado e putamerdamente sexy. Um dia, ouvi dizer que as mulheres malvadas tinham um charme especial e por isso que havia todo um fetiche em torno delas. Bom, eu tenho novidades pra vocês, rapazes: homens-malvados-mal-humorados-mas-que-no-fundo-são-bonzinhos também tem um apelo enorme, do tamanho de um ELEFANTE, pra nós, meninas. Especialmente meninas adolescentes com hormônios em explosão e com sorrisos felizes e que podem ser incrivelmente irritantes. Algumas vezes. Na maior parte do tempo.
Ele fazia parte do nosso grupo especial de coisas-secretas-que-eu-não-posso-revelar. Éramos...hmm.. eu nunca me dei ao trabalho de contar, sabe? Vejamos, eu, ele, o loirinho, a peituda, o depressivo, o atleta e a garotinha. Sete pessoas! E essa era nossa hora de jantar. Depois, cada um ia pro seu lado, dormir e descansar pra manhã seguinte.
Eu sempre sentava do lado da garotinha. Eu e ela sempre tinhamos alguma coisa em comum pra conversar, mesmo que ela tivesse seus 10 anos e eu estivesse chegando perto dos meus 17. A peituda era muito séria e no geral ficava engajada em conversas de gente grande com o depressivo. O atleta e o loirinho comiam como cavalos e sempre saiam cedo pra poder passarem na quadra antes de cada um ir pro seu canto. E ele? Ele era o mais velho de nossa turma e eu me perguntava sempre porque ele aceitara participar do nosso grupo. Ele era inteligente, forte, sexy e malvado-de-uma-forma-que-não-era-tão-malvada-assim. Em inglês, acho que seria algo como 'badass'. Por aí. E ele tinha mesmo uma bela bunda, meus hormônios fizeram questão de me lembrar.
Hoje era diferente dos outros dias porque a garotinha tinha ido dormir, e eu tinha dado meu bolinho pra ela, antes que ela fosse. Ela tava doente e eu queria que ela se recuperasse. Maas, por outro lado, eu fiquei sem sobremesa!
- E isso não é justo, você acha? Você acha que é justo eu ficar sem bolinho na sobremesa, acha?
- Não é problema meu. - ele respondeu, com aquela voz de quem não liga. Hunf. Ele ia ver! Ia ver mesmo!
- Você vai me dar seu bolinho porque eu sou firfa.
- Não. - e ele tirou um pedaço daquele delicioso muffin e colocou na boca de forma lenta, como se saboreasse cada momento.
- Eu vou usar meus poderes de hipnose! - eu avisei - Boliiiiiiiiiiiiiiinho... me dê seu boliiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinho.
- Você está parecendo mais um zumbi dizendo "céééérebro". - avisou o loirinho, rindo da minha cara. HUNF. pra ele também.
- Você vai me dar o seu bolinho porque eu vou fazer a minha dancinha do por-favor. PORFAVORPORFAVORPORFAVORZINHOPORFAVORPORFAVORPORFAVORPORFAVORPORFAVOR!
E eu continue repetindo enquanto sacudia o braço dele e balançando a cabeça. Ele pareceu realmente irritado com meu comportamento e tentou continuar comendo, mas eu simplesmente falei mais alto e mais rápido. Ele soltou um hunf e baixou o braço com o o muffin, empurrando-o para mim.
- YEY. - eu disse, comendo o bolinho antes que ele tivesse tempo de mudar de idéia. - Obrigada por me achar firfa.
- Eu não disse isso.
- Mas eu sei que no fundo do coraçãozinho, foi isso que você pensou.
- Não.
- Eu sei, eu sei.
Ele se levantou e foi embora. Hmm... eu poderia comer mais bolinhos se fizesse isso mais vezes. Sorri, cobrindo a boca com a mão, pensando que era uma boa idéia a ser considerada.
Sunday, November 15, 2009
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