Ele veio me desejar boa noite.
Estava deitada na minha cama, deitada debaixo das cobertas, porque fazia frio.
E ele entrou, pé-ante-pé, cantarolando uma velha cantiga de ninar, que eu não ouvia faz tempo, para me dar boa noite.
Tinha cheiro de sândalo, e seu rosto era palidamente emoldurado pela luz do luar que entrava pela janela aberta do meu quarto. Mãos finas tocaram minha testa, um dedo longo percorreu meu nariz e apertou-o levemente como uma campainha. Eu sorri e vi que ele retribuiu, com aqueles dentes cor-de-marfim.
Curvou-se em cima de mim e seu cabelo negro escorreu sobre o rosto. Então eu pude enxergar aqueles olhos que faziam uma perfeita reprodução do firmamento. Espelhos, espelhos.
Senti-me confortada na presença daquela figura misteriosa que eu tanto amava - e tão pouco conhecia. Com um toque sutil, ele afastou meus cabelos castanhos da testa, ajeitando-os cuidadosamente sobre o ombro. Lábios finos e levemente avermelhados pressionaram suavemente minha testa e, naquele instante, eu fechei meus olhos.
Ainda assim, soube que ele sorrira quando aquele carinho foi interrompido. Fitou-me ainda por alguns rápidos instantes, um pouco ofegante pelo contato que tivemos, talvez. Percorreu os olhos por meu corpo coberto, e ajeitou a manta por cima de mim, roçando levemente meus seios. Estremeci.
Então, ainda cantando aquela velha cantiga, ele saltou a janela e eu fiquei ali, com o olhar fixado no teto branco do quarto, mas com o pensamento vidraça a fora...
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1 comment:
Bom eu te falei o quanto esse texto mexeu comigo e voce sabe que sou péssimo com palavras. Só estou escrevendo pra registrar o meu apreço pela obra. Beijos querida!
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