Eu sinto um certo orgulho depois de fechar um jogo.
Natural, depois de passar mais ou menos sessenta horas da sua vida naquele maldito console, se descabelando frente a chefes, com a maior paciência para fechar as sidequests - por vezes, mais irritantes do que o boss final - é perfeitamente cabível que você sinta aquela vontade de estufar o peito e gritar: EU CONSEGUI!, quando os créditos finais terminam de aparecer e os últimos extras dão o ar da graça.
Mas, além disso, eu me sinto um pouco órfã daquele determinado jogo.
Mais ou menos como quando eu vejo um filme memorável ou termino um livro pelo qual me apaixonei. Durante um ou dois meses, você acompanhou as aventuras daqueles certos personagens, viu suas aflições, sentiu na pele o ódio deles pelo vilão, derrotou o desgraçado no final e torceu para que eles beijassem suas respectivas mocinhas. A música tema estava no seu MP3 e na lista de Most Playeds do I-Tunes e você até deu nome do herói pro seu cachorrinho novo.
E aí, acaba.
Cada um deles segue seu caminho e você é obrigado a voltar pra vida real, o tal mundinho medíocre. Nada mais de derrotar monstros, magos malvados que querem dominar o mundo, maldições antigas, zumbis, fantasmas. Em vez disso, escola, trabalho, pais, namorado e amigos que você negligenciou durante algumas horas da sua vida, tudo isso volta a ser seu próximo chefão da fase.
Você sente saudades do carinha X, de como era gostosa a heroína Y (ou vilã. Aliás, vilãs sempre são as gostosas. ¬¬) e achou que o casal AB era o mais firfo do mundo dos games. E não adianta jogar de novo - perdeu a surpresa, a novidade, metade da magia do negócio. Também, você sabe exatamente o que fazer pra passar de fase, pra derrotar não-sei-quem, e com quem tem que falar pra pegar a arma-ultra-mega-plus-advanced-foda.
Não tem graça.
Ai, ai. *suspiro*
Estranhamente, eu não chorei no final de Kigdom Hearts. Ao contrário de FFX, no qual eu verti lágrimas durante bem uma meia hora.
E o próximo que vier me dizendo "Fechar qualquer um fecha, quero ver é derrotar o Sephiroth e os bosses opcionais!", eu mato.
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3 comments:
Engraçado como as coisas são assim, né ? Mas pensa bem, a vida real também tem seu charme de videogame. É que simplesmente não olhamos para ela desse jeito. Mas a vantagem dela, é que sempre, tudo que aparece, vai ser um novo desafio, onde muitos dos truques e macetes antigos podem ou não funcionar. De qualquer modo, as vezes eu gostaria de fugir um pouco para os jogos.
Em último caso, sempre me lembro de um comentário do livro História Sem Fim : "Quando você fecha um livro, o que acontece com os personagens dele ? A história acontece quando ele esta aberto, mas e fechado ?" Para mim, eles continuarão lá, vivendo novas e melhores aventuras. Eles simplesmente não se foram...
Parabéns! =D
Eu senti sua agonia para fechar KH durante todo esse tempo =P
Eu tb me sinto assim qdo termino um jogo, um livro ou um filme. E acho q isso acaba sendo uma motivação pra escrever, apesar deu não poder mais...
Nya, hj fui mexer no blog e linkei vc lá tá?
=***
Cuide-se, May!
Credo,ate eu senti sua aflicao!
Adorei o ultimo paragrafo. :S
Beijo.
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