Ela se levantou do banco da praça, jovem ainda nos seus anos vividos. Tinha um sorriso no canto da boca, uma lágrima no canto do olho, e nada mais precisava ser dito. O rapaz que estava por perto, era ainda mais novo, imaturo no alto de sua sabedoria.
- Já vai? - ele disse, com um ar teatral nos olhos.
- É. - ela respondeu, espanando uma poeira invisível da camisa rendada. Seus olhos vibravam com a água que os deixava cristalinos. - Tanta coisa, tão pouco tempo...
Ele apenas sorriu. Um sorriso culpado, de quem sabe que magoou e resolve não mais voltar no assunto. Talvez para melhor, talvez para pior, alguma coisa havia mudado na criança moça que estava ali.
- Então... - começou ele, sem saber exatamente o que queria dizer.
- Então...tchau. - ela terminou com o lápis de olho levemente borrado pelas lágrimas que escorriam.
O choro não havia tirado o sorriso da boca dela, era algo como se fosse chuva e sol caindo numa praia ao entardecer, se é que tal sensação existe para ser comparada.
- O que você vai fazer da vida agora? - ele perguntou, indagando se ela ficaria bem.
- O que eu vou fazer da vida agora? Já passei dessa fase. Agora, estou mais preocupada com o que a vida vai fazer de mim. - e sorriu.
Definitivamente, algo nela havia se quebrado.
Feliz Ano Velho.
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1 comment:
Existem situações que nos fazem sentir como um pula-pirata. Aquele brinquedo com um piratinha dentro do barril, que você punha faquinhas até algum infeliz por a faca que fazia ele saltar para fora do barril. As facas, seriam a vida, só que menos afiadas.
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