Monday, December 04, 2006

Pra ser sincera...

“Amamos tão pouco e tão mal, com uma metade ou até mesmo com um quarto de nós mesmos. E amamos, no outro, alguns pedaços escolhidos, os mais conhecidos, aqueles que nos causam menos medo. É tão raro amarmos alguém por inteiro, com aquilo que nos agrada e com aquilo que não nos agrada. É tão raro sermos amados por inteiro, com nossas cavidades de sombra, com nossos dorsos de luz.” (Jean-Yves Leloup)

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Olhou-se nos próprios olhos do espelho. Tinha a cara cansada, inchada de tanto chorar. Seus cabelos estavam despenteados, de quem não pretendia sair da cama naquela manhã cinzenta.

Ela pensou no que lhe acontecia e seus olhos ameaçaram encher-se de água. Autopiedade, o sentimento mais miserável do mundo. Seu eu-no-espelho fez uma careta:

- Onde está a menina que todo dia de manhã encara os desafios com um sorriso no rosto?

Ela encarou-se com um jeito derrotista que não lhe caia bem.

- Morreu, assim que ela mudou tão bruscamente suas atitudes e destruiu o que havia de belo ao seu redor.

O reflexo a fitou de volta, com um olhar mais que indignado.

- Não sei porque me dou ao trabalho. Você me enoja.

Com uma expressão de ódio, ela cruzou os braços e sumiu, deixando aquele protótipo de Raíssa sozinha com seu reflexo não mais animado.

1 comment:

Anonymous said...

Acho que uma Raíssa devia dizer para a outra tentar relaxar um pouco e deixar as coisas seguirem seu curso. Qual Raíssa vai dizer, tanto faz, pois as duas sabem bem disso.
No caso de ambas precisarem de uma força, apoio ou semelhante, sempre sabem que os amigos estão aqui.