Sunday, November 09, 2008

Hotel California.

Enfiou o dedo no ouvido e tentou abrir e fechar a boca várias vezes. O chiado incessante de rádio não sumia há horas. Ficava o tempo todo de fundo, como música de elevador, que uma hora você percebe que deu no saco e ficou grudada feito chiclete na cabeça.

Fechou os olhos, desistindo por alguns instantes de tentar se livrar daquilo tudo. Imediatamente, uma imagem daquelas que a gente vê no Windows Media Player, com barras de som subindo e descendo se formou.

Parecia que estava tentando sintonizar alguma coisa na sua cabeça perturbada. Aquilo a preocupava, mas em sua posição, era difícil, humilhante e perigoso pedir ajuda. Um tom de voz se fez ouvir entre os chiados.

"O que será que ela vê através de seus olhos desiguais?".

Perguntas, mais perguntas! Era como se seu subconsciente mandasse mensagens para que ela refletisse e tirasse cada vez mais esqueletos do armário da sexta seção. Perigoso.

Ainda era jovem. Tinha futuro. Potencial. Carreira, amigos, família, amor. Tudo. Malditas vozes, poderiam por tudo a perder. Teria que conviver com elas até achar uma saída: fosse um botão de desligar ou um volume que ela pudesse abaixar.

Em seus olhos fechados, sentia a voz sorrir para ela.

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