_ Eu preciso saber quem você é. Por favor, por favor.
Ele não respondeu e continuou a levá-la pela floresta até sua casa. Ela sabia que ele vivia ali, rusticamente, mas não sabia seu nome ou quem era. Precisava saber se era ele, precisava saber se ele a amava do mesmo jeito que ela fazia.
_ Por favor. - pediu ela mais uma vez, fazendo aquela cara de coitada que poucas mulheres conseguem fazer.
Não deveria ter mais do que dezessete anos e lutara na última batalha contra os Fantasmas do Penhasco, usando toda sua energia mental que lhe fora concedida pelas Fadas - claro, antes delas partirem para o Sul, sem deixar resquícios de sua estadia.
Ele, contudo, com certeza tinha mais de vinte e cinco. Usava uma barba rala e costeletas, com um olhar ferozmente decidido e noções estranhas do que era certo ou errado. Na primeira luta, ele ajudara os inimigos, na segunda, ele salvara sua vida e na última, assistira os feiticeiros dos dois lados se matando e só se reunira ao grupo para apanhar os destroços.
Não era a primeira vez que ia para sua casa. Há menos de três semanas, ela acordara deitada numa cama de palha e coberta com uma manta costurada a mão, e ficara mais ou menos cinco dias se recuperando dos graves ferimentos que sofrera. Ele aparecera apenas de noite, fazendo o jantar e cuidando dela com o carinho que faria um irmão mais velho com a caçula da família doente.
Sarara, é verdade, mas deveria ter sido mais esperta e fugido da luta recente contra os Fantasmas - abrira quase todos os seus antigos machucados e ainda, de quebra, conseguira mais algumas cicatrizes.
E lá estava ele, de novo, a carregando para sua casa e deitando-a em sua cama, ordenando-lhe num sussurro rouco que descansasse. Mas ela sabia que não descansaria enquanto não soubesse quem era ele e, finalmente, de que lado estava. Mais importante, se ele também sentira o mesmo que ela ao acordar e colocar os olhos pela primeira vez nos dele.
Ela se despira enquanto ele olhava para trás e vestira roupas quentes e menos ensanguentadas que as suas, para então, repousar no travesseiro novo que ele mesmo fizera.
_ Você não vai me dizer quem é você, não é mesmo?
Ele fitou-a por mais um instante e esboçou um sorriso, obviamente querendo dizer não. Seu olhar nada dizia e tudo lia no dela, que, imediatamente, se sentiu tão nua como se tivesse se trocado na frente dele.
Então, de surpresa, ele abaixou bruscamente e a beijou os lábios, furioso, certeiro e assustado como um tigre. Não durou mais que alguns segundos, e ele nem fechou os olhos enquanto agarrava seu cabelo, com um carinho brutal.
Depois, surpreso e envergonhado com o que fizera, saiu a passos largos da casa, confuso em suas bases e deixando para trás uma extasiada e desesperada senhorita injuriada.
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
2 comments:
Gostei pacas da forma como tu colocou as coisas. Os nomes, os locais. Em pequenas palavras tu deu vida a tanta coisa. Por alguns minutos, dava para se sentir parte da história, deste gigantesco mundo minutesco ( existe isso ? ).
Muito bom =D
Post a Comment