Ela entrou na classe, com aquele ar de sonhadora avoada que lhe era característico. Procurou-o com o olhar, e seu rosto murchou por um instante quando viu que ele ainda não chegara.
Seus olhos percorreram a classe e ela logo se decidiu sentar no fundo, de onde teria uma boa visão de qualquer lugar que ele pudesse escolher para assistir a aula. Aprumando sua mochila preta nos ombros, pediu licença para o rapaz louro que estava na carteira ao lado e sentou.
Foi esse rapaz quem primeiro notou quando ele chegou. Só um tonto não percebia que ele abria um grande sorriso sempre que via o amigo e, apesar de seus esforços para esconder, seu coração batia mais rápido quando ele o cumprimentava. Acenou.
Ele entrou a passos rápidos, parecendo afobado com alguma coisa e retribuiu o aceno do amigo. Olhou de relance para a porta, seu cabelo preto esvoaçando por um momento e arrancando dois suspiros distintos, que ele não ouviu. Mas reparou na senhorita de cabelos acastanhados e olhar sonhador na fileira do fundo, e desejou que seu amigo não estivesse sentado ao lado dela.
Correu para apanhar o lugar a sua frente, o professor chegou em menos de dois minutos. Era um moço alto, de cabelos negros e olhos da mesma cor. Em seu íntimo, desejou que ela não tivesse faltado a aula, e seu humor melhorou quando a viu sentada atrás de Aaron e do lado de Elliot.
Aqueles olhos sonhadores dela. Ele sorriu para ela, só para ela, mas ela não notou que era só seu aquele sorriso. Estava ocupada demais aspirando o perfume suave que vinha do moço Aaron, não percebendo nem os esforços de Elliot para sentir a mesma fragância.
Aaron desejava olhar para ela, mas chegara tarde pra conseguir. Ouviu o riso dela quando o professor Gustave fez uma piada sobre alguma coisa que ele não prestou atenção e aquilo fez ferver seu sangue e querer beijá-la ali mesmo.
E Gustave percebeu em seu olhar e sentiu ver o vermelho em seu olhar. Ah, como queria agarrá-la naquele instante e levá-la para longe. Ah, se pudesse fazer com que aquele outro, Elliot, tivesse seu amor correspondido, talvez o dele... não, era loucura. Ele sacudiu a cabeça e, querendo espantar os pensamentos, começou a sua aula.
Os três se aquietaram no fundo, ela acalentada pelo perfume do cabelo dele, ele, com o desejo de que ela por um instante pudesse olhar para ela, e o terceiro, como tal, conformado em seu desespero.
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1 comment:
Agora sim, algo digno da dona deste blog ! Gostei de ver, mesmo ! Espero que venham novos textos como esse =)
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