Entrou na casa com um certo receio. Em outros tempos, havia sido de seus avós, recém-chegados da Romênia e, Deus, como era grande. Quinze quartos, duas cozinhas, uma sala de jantar que poderia ser, sozinha, um apartamento pequeno. Fazia anos que não pisava por ali.
O jardim, guardado por um grande portão de ferro que rangia muito, e cuidado por Sr. Alfonso, um velho mexicano manco, que, apesar de tudo, fazia seu trabalho muito melhor do que qualquer rapazote de dezoito anos metido a sabido.
- Boa tarde, senhorita. Há muito tempo que não vêm para cá visitar, seu avô estava ficando já preocupado. - ele comentou, respeitosamente ao vê-la passar.
- Boa tarde, Felipe! - ela respondeu animadamente, a despeito do fato que ele falava como seu avô, Alberto, falecido há sete anos, ainda estivesse vivo. - Realmente, estava na hora de vir.
No hall, ainda havia o cabideiro para casacos e chapéus dos visitantes, ao lado, de um lugar para colocar guarda-chuvas. A mesa da primeira sala continuava impecavelmente brilhante como nos tempos de que Maria, avó dela, ainda era viva e comandava a criadagem com mão de ferro.
Subiu as escadarias, o resto do espólio poderia ser dividido como fosse entre seus primos, desde que ela o tivesse. O quarto dos antigos donos era decorado com temas que lembrassem a antiga pátria de seus habitantes.
Abriu a gaveta do criado-mudo com avidez. Lá, uma caixinha de ébano a aguardava, misteriosa como da primeira vez que tivera contato com ela, há quase dezoito anos. Pegou-a e encostou no rosto, sentindo-a fria contra a pele. Retirou a tampa e encarou o conteúdo:
Um baralho e um pedaço de papel.
"Para você, pequena que eu sabia que viria. Faça bom uso, como sua avó lhe ensinou."
O Enforcado sorria para ela.
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