Saturday, January 27, 2007

Sis.

Amanhecia quando ele decidiu ficar um tempo ali na casa. O que tinha a perder? Ian não devia nada a ninguém e no fim das contas, estava cansado e frustrado. Pelo menos, poderia passar um tempo com as suas memórias, fantasias e meditar sobre o próximo passo.

Tirou os lençóis do lugar e descobriu os móveis que não escaparam das traças. A cama ainda parecia intacta, o que o levou a arriscar deitar sobre ela. Ouvia Betto relinchar do lado de fora alegremente do lado de fora e aquilo dava-lhe certa paz de espírito.

Tentara, apesar de tudo, tentara. Olhou para a sala ao seu redor e tocou num velho piano de madeira, simples, que ocupava boa parte do espaço. Perguntou-se se sua irmã sabia tocar - ele arranhava algumas músicas simples, afinal. Dedilhou algumas teclas e imaginou-a descobrindo a magia da música, tocando para esquecer que iria morrer, e ouvindo respostas nos acordes mais suaves.

Estava devaneando. A verdade é que não fazia idéia de como tinha sido a vida das duas pessoas que lhe eram tão caras, mesmo nunca tendo as conhecido. Estranho ou não, os sentimentos de Ian não deixavam esquecer que lhe fora arrancada uma parte de sua história e ele estava correndo para recuperá-la em tempo.

Recostou-se na poltrona pensativo. A sala era bonita e a claridade da manhã a deixava com outros ares, menos lúgubres do que os que lá estavam quando ele chegara. Poderia ter sido feliz ali, tinha certeza que sim. Ouviria risos, músicas e histórias de sua mãe. Cozinharia para elas - era sua especialidade, tinha a mão certa para doces.

Ela sorriu para ele, mas o rapaz não se assustou com a sua presença. Tinha olhos opacos e misteriosos, um nariz arrebitado - como o dele - e um sorriso branco feito neve, como sua pele. Era bonita e imponente, talvez, por isso, inspirasse um respeito temeroso.

Abriu os braços finos como gravetos e Ian sentiu o calor crescer dentro do peito.

- Lu...sis...?

Ela acenou e piscou com um olhar. O vento soprou forte e invadiu a janela da sala do casebre, fazendo vibrar as cortinas. Então, como num passe de mágica, ela foi-se com ele.

Ian levantou-se com rapidez da poltrona estofada. Tinha realmente visto sua irmã?! Seu sorriso abriu-se de ponta a ponta e dúvidas mil surgiram em sua mente. O que havia sido aquilo? Não teria sonhado? Estava cansado, fora tudo um truque. Ou talvez não?

Correu até a porta e, ao abrir, deu de cara com uma moça de cabelos revoltos, envolta numa capa lilás.
Violet Beetleheart gritou.

2 comments:

Anonymous said...

olá,adorei esta história!!!!!ficou super legal!!!!bEiJoS

Anonymous said...

Moça. realmente estou adorando!
*_____________________*
Mal posso esperar para ler o resto!
Tem algum segredo?
Me avise quando postar. ^^
bjs