E ela sempre se perguntou, antes de começar qualquer relacionamento, com cautela, com a racionalidade que seus poucos anos de vida iam lhe concedendo: "Was it love? Or was it the idea of being in love?". Ela ouvira aquela citação numa música no toca-discos do pai e depois que entendera o que significava, o quão de verdade aquilo significava, nunca mais abandonara, assim como o nome que escolhera para si.
Não que houvesse adiantado muito, nessas horas a cabeça nunca está no lugar mais certo. O tempo passava, passava, mas o que conta é o tempo vivido, não o tempo perdido, nada de ficar se desesperando como um inglês. Às vezes ela via alguns desses escorregões que cometera em sua vida passando por um campo perdido de memórias.
Ela e eles passeavam de mãos dadas perdidos naquele campo infundado de certezas de papel machê. Os lunáticos deitavam na grama ao lado deles e sorriam quando ela contava estórias para distrair a pessoa que estava em sua cabeça.
Ela olhava para o céu e procurava nuvens coloridas entre a noite escura. E sorria, sorria como uma moça muito apaixonada e ela era, porque, talvez, gostasse da idéia de estar apaixonada, mas era de verdade (como todas as outras vezes).
E se tudo desse errado de novo, ela veria todos eles no lado escuro da Lua.
(There is no dark side of the moon really. Matter of fact it's all dark.)
Tuesday, October 23, 2007
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