Era um homem forte, diferente de todos os outros que eu já havia conhecido um dia. Ele tinha um sorriso forte e de dentes brancos, que ele tão pouco usava e quando usava era como se o dia se iluminasse. Ele era forte sem ser musculoso, era homem em todas as suas atitudes, sem precisar ostentar nenhuma delas, o que era uma novidade pra mim.
Não fazia as coisas por mim, fazia-as por ele mesmo. Eu era apenas uma menina em sua companhia e eu não sabia exatamente quem eu era perto dele. Ele era apenas um homem e eu era apenas uma menina, mas ao mesmo tempo, não parecia ser só isso. Ele dava uma das mãos para mim e eu me senti protegida, porque sabia que ele não ia correr, mas sabia que não era por mim, era por ele.
Era uma sensação estranha que invadia meu corpo e eu me sentia aquecida perto dele. Ele era tão bonito. Tinha a pele morena e um tanto quanto áspera, parecia a de alguém muito calejado pelo sol, aquele moreno avermelhado. Seu cabelo era castanho-escuro e vinha até os ombros.
Seus olhos impressionavam. Lembravam olhos de águia e ao mesmo tempo, eles eram fluídos feito água. Ele parecia enxergar toda minha alma, enxergava todas as minhas falhas, todos os erros que havia cometido na vida, e quando ele via, eu sabia o que ele estava vendo e não poderia deixar de me envergonhar, mas nunca, nunca eu tiraria os olhos dos dele. Eu não iria me esconder e abaixar a cabeça ou não seria digna da presença dele, eu simplesmente sabia.
Ele era um homem no sentido mais idealizado da palavra. Ele era o que todos os homens deveriam ter sido um dia, o que todos os homens deveriam voltar a ser um dia. Seus olhos me deixavam ver o que eu quisesse, eu sabia quem ele era, o que havia errado, o que havia feito certo, e todos aqueles sentimentos que ele tinha chocavam-se como ondas em uma barreira que era sua face.
Eu não sabia onde estava, nem ele parecia imaginar, mas estava fazendo seu melhor para descobrir. Era uma superfície árida, pedregosa, e perigosamente deserta. Algumas placas indicavam coisas em uma linguagem que não conhecíamos. A noite era limpa e eu via estrelas muito maiores do que qualquer uma que eu já tinha visto na Terra.
A Lua era vermelha e eu não conseguia parar de pensar em como deveria ser seu lado escuro. Ele sorriu pela primeira vez quando ouviu meus pensamentos quase infantis e me levantou em seu colo, quase como uma menina de seis anos.
Chegamos em algum ponto onde viamos pessoas, algumas desfiguradas e outras com roupas que um dia deveriam ter sido limpas e normais na nossa Terra. Não sei se elas nos viam, mas eu sentia que não. Eu me perguntava quem eram, o que teria acontecido para chegarem ali, mas logo depois percebi que eu mesma não sabia quem eu era e o que tinha me acontecido para chegar ali.
Não era como se eu estivesse perdida. Era só como se eu não soubesse onde estava. Eu não me importava muito, contudo, desde que Ele estava comigo, eu nunca tivera sensações tão boas como em qualquer outro momento da minha não tão longa vida.
Parecia que iriamos ficar muito tempo juntos e parecia que viveriamos eternamente vagando de um lugar para outro, sem saber exatamente onde estavamos ou o que eramos, mas seguros e 'felizes' de estarmos juntos.
Porque um dia talvez nos desaparecessemos, tão breve e inesperadamente quanto surgíramos. E aquele conhecimento, de que seja lá o que fossemos, era pouco maior ou pouco menor do que poeira de estrela no espaço, faria com que vivessemos intensamente aqueles dias, meses, anos ou nanossegundos que nos restasse.
Acho que eu o amava.
Sunday, October 28, 2007
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