Escolheu o caminho a pé, mas sem muita convicção ou certeza de que era o melhor que faria. A euforia que havia tomado conta da menina segundos atrás quando vislumbrou a possibilidade de ir para casa sem correr muitos riscos havia completamente se esvaido.
Passou pela grade do metrô com um olhar de cachorro pidão, como se isso magicamente pudesse fazer com que o metal se compadecesse e abrisse espaço para ela entrar e chegar à segurança. Não aconteceu.
Tomou seu caminho com a cabeça erguida, tentando não se deixar abater pela longa caminhada que teria que enfrentar. Terminou a primeira rua com uma sensação de vitória, mas em seu íntimo sabia que a parte die hard ainda nem havia começado.
Os carros começavam a cessar seus passeios, nenhum táxi estava a vista. Ela se perguntava pra que serviam os táxis, se não para levar pessoas para casa quando elas não queriam andar e não tinham como pegar qualquer transporte público, o que, fatalmente, só ocorria à noite. Sempre nesse horário eles desapareciam como num truque macabro.
A situação a oprimia e ela só podia apressar o passo. Andou bastante, tomando cuidado para sempre ver se não a seguiam ou se as luzes atrás de si continuavam acesas. Um vento começou a soprar e logo, como não podia deixar de ser, começou a chover, pois, afinal, estava em Londres.
Naná apertou o sobretudo ainda mais contra o corpo, estava ficando frio de verdade e ela não estava acostumada com o clima ainda. Era uma das coisas que sentia falta na cidade: o sol quase nunca dava as caras, diferente do Brasil, e quando o fazia, era motivo de comemoração.
Desencapou o guarda-chuva e o abriu, bem a tempo de evitar que uma chuva ainda mais pesada a molhasse por completo. O "umbrella" era o acessório essencial de todos os que se aventurassem a morar em Londres.
Um gato cruzou sua frente e Naná era uma paulista supersticiosa: não passava debaixo de escada, tomava cuidado pra não derramar sal, não falava "loira do banheiro" na frente do espelho e, principalmente, detestava gatos pretos como aquele. O bichano ainda tentou se amigar mas ela o repeliu com xispa sussurrado baixinho. Ele seguiu seu caminho, sem se abalar, como todo gato, que nunca liga para ninguém além dele mesmo.
Ela continuou andando, até surpresa pela falta de incidentes, mas agora sabia que teria que tomar cuidado redobrado. A placa indicava o bairro de Whitechapel e ela sabia que ali sempre morara o perigo...
Tuesday, August 26, 2008
Sunday, August 24, 2008
"Kill the spiders to save the butterflies. Until you realize that by doing it....you became a spider yourself."
Às vezes, a gente vai olhando o ponteiro do relógio avançando e comendo os segundos preciosos e vitais de vida que ainda temos, mas não fazemos nada. Desperdiçamos segundos todos os dias, fazendo coisas inúteis quando poderíamos estar vivendo, experimentando, dormindo, construindo um mundo melhor.
Eu deveria levantar do pc.
Às vezes, a gente vai olhando o ponteiro do relógio avançando e comendo os segundos preciosos e vitais de vida que ainda temos, mas não fazemos nada. Desperdiçamos segundos todos os dias, fazendo coisas inúteis quando poderíamos estar vivendo, experimentando, dormindo, construindo um mundo melhor.
Eu deveria levantar do pc.
Saturday, August 23, 2008
Tudo começou naquela noite de verão, com o sol a pino como se estivesse em pleno meio-dia - com o detalhe que já passava das 21h. Era muito estranho viver em outro país, num outro hemisfério, com costumes tão diferentes, onde até mesmo a noção de tempo que ela tinha era subvertida.
As ruas começavam a esvaziar. Era mês de agosto, um mês de férias e quase ninguém nativo ficava por lá. O metrô ia fechar lá pelas 11h30 naquele dia, então, ela tinha que fazer com que aqueles malditos clientes se apressassem rua afora, tomando cada um seus sorvetes, para que ela pudesse fechar o balanço do dia e então, ir para casa sem preocupações.
Ela morava longe. Ter que esperar duas horas por um ônibus, como frequentemente acontecia quando perdia o horário do último metrô, não era uma perspectiva agradável. Talvez ela demorasse menos indo a pé, mas o problema era o caminho que ela havia de percorrer. Preferia dormir menos a não chegar viva em casa. Ninguém, absolutamente ninguém, gostava de passar lá pelos lados de Whitechapel de madrugada, especialmente sendo mulher e sem acompanhante. Para atingir a Liverpool Street de forma rápida, era por lá que ela havia de passar, com passinho apressado, olhando para os lados para ver se fantasma de Estripador nenhum, seja ectoplasmático ou apenas um louco achando que era sua Reencarnação, a estava perseguindo, com seu facão enorme e afiado.
Vivia numa cidadezinha a vinte minutos de Londres, chamada Seven Kings, pelos lados de Stratford, extremamente calma, um subúrbio tranquilo comparado ao que se chama de suburbio do país de onde ela viera. Nenhum inglês jamais passara por uma favela para dizer que aquilo ali era "perigoso".
Ela não se importava. Achava que estava mais segura entre os indianos e muçulmanos do que entre as pessoas "de bem" inglesas. O que parecia mais óbvio para um terrorista explodir: o lugar onde supostamente moram os "inimigos" ou o lugar onde vários conterrâneos seus vivem tranquilamente? Ela não tinha dúvidas quanto a resposta.
Consultou o relógio. Meia hora para fecharem o metrô e uma fila imensa ainda por ser atendida. Pessoas ansiosa para conseguir um sorvete legitimamente italiano feito por uma brasileira e uma simpatica menina francesa, que imigraram para Londres em busca de oportunidades melhores. E aqueles estrangeiros endinheirados pensavam que estavam pagando por um 'gelatto' feito por italianos. Sorte da brasileira que era só fazer um sotaque e dizer 'per favore' que eles sentiam-se confortáveis para gastar muitos dinheiros com aquilo.
Bom, o sorvete não era ruim, não havia mal nenhum em enganá-los, embora ela pensasse de verdade, que não era bem uma enganação, e sim, uma personificação inocente e amigável, quase como uma propaganda subliminar. Não havia placa nenhuma avisando que o sorvete era italiano legítimo.
O senhor gordo não conseguia se decidir entre um sabor, e estava experimentando um pouco de cada. Naná sentia vontade de esganá-lo, assim como todos os outros clientes que formavam a fila atrás dele. No caixa, Melanie contava o dinheiro com olhos brilhando: o lucro aquele mês seria o mais alto de todos os meses que as duas amigas tiveram desde que pisaram em solo inglês. Impressionante o que as férias faziam!
O sol esmoreceu por completo deixando as ruas escuras. O senhor gordo decidiu-se por chocolate mesmo, depois de ter experimentado pelo menos mais quinze sorvetes diferentes, entre os quais o de "caramelo com ameixas", "frutas exóticas" e "passas com vinho branco". 'Porco americano maldito.', Naná pensou com seus botões. Odiava americanos, odiava. Sentiam-se como se fossem donos da gelateria, e sempre demoravam séculos para escolher o sorvete. Ela preferiria viver muito bem sem o dinheiro deles do que serví-los, mas, bem, é a vida, e ela não podia fazer distinção entre seus visitantes.
Ainda faltavam três pessoas e sete minutos para o último metrô. "Andem, andem, maldição!". Ela atendeu a última bola de sorvete com muito gosto e deixou todo o trabalho para Melanie terminar. "Você mora perto, eu preciso correr para pegar o trem!", gritou antes de sair correndo pela porta.
Ela saiu pela rua como uma louca com o casaco preso pela cintura e deu um pulo alto, sorrindo, ao ver o portão que guardava a estação ainda aberto. Sua intenção de entrar, no entanto, foi frustrada por ver o funcionário de casaco preto aparecer e ir descendo lentamente as grades que a levariam em segurança pra casa.
"AAAAAH!", gritou, incapaz de expressar mais significativamente seus sentimentos e deu meia volta. Tinha que fazer uma dura decisão, agora. Andar para casa e chegar definitivamente mais rápido ou esperar longamente por um ônibus no ponto ali perto?
Sua testa franziu enquanto ela pensava....
[continua.]
As ruas começavam a esvaziar. Era mês de agosto, um mês de férias e quase ninguém nativo ficava por lá. O metrô ia fechar lá pelas 11h30 naquele dia, então, ela tinha que fazer com que aqueles malditos clientes se apressassem rua afora, tomando cada um seus sorvetes, para que ela pudesse fechar o balanço do dia e então, ir para casa sem preocupações.
Ela morava longe. Ter que esperar duas horas por um ônibus, como frequentemente acontecia quando perdia o horário do último metrô, não era uma perspectiva agradável. Talvez ela demorasse menos indo a pé, mas o problema era o caminho que ela havia de percorrer. Preferia dormir menos a não chegar viva em casa. Ninguém, absolutamente ninguém, gostava de passar lá pelos lados de Whitechapel de madrugada, especialmente sendo mulher e sem acompanhante. Para atingir a Liverpool Street de forma rápida, era por lá que ela havia de passar, com passinho apressado, olhando para os lados para ver se fantasma de Estripador nenhum, seja ectoplasmático ou apenas um louco achando que era sua Reencarnação, a estava perseguindo, com seu facão enorme e afiado.
Vivia numa cidadezinha a vinte minutos de Londres, chamada Seven Kings, pelos lados de Stratford, extremamente calma, um subúrbio tranquilo comparado ao que se chama de suburbio do país de onde ela viera. Nenhum inglês jamais passara por uma favela para dizer que aquilo ali era "perigoso".
Ela não se importava. Achava que estava mais segura entre os indianos e muçulmanos do que entre as pessoas "de bem" inglesas. O que parecia mais óbvio para um terrorista explodir: o lugar onde supostamente moram os "inimigos" ou o lugar onde vários conterrâneos seus vivem tranquilamente? Ela não tinha dúvidas quanto a resposta.
Consultou o relógio. Meia hora para fecharem o metrô e uma fila imensa ainda por ser atendida. Pessoas ansiosa para conseguir um sorvete legitimamente italiano feito por uma brasileira e uma simpatica menina francesa, que imigraram para Londres em busca de oportunidades melhores. E aqueles estrangeiros endinheirados pensavam que estavam pagando por um 'gelatto' feito por italianos. Sorte da brasileira que era só fazer um sotaque e dizer 'per favore' que eles sentiam-se confortáveis para gastar muitos dinheiros com aquilo.
Bom, o sorvete não era ruim, não havia mal nenhum em enganá-los, embora ela pensasse de verdade, que não era bem uma enganação, e sim, uma personificação inocente e amigável, quase como uma propaganda subliminar. Não havia placa nenhuma avisando que o sorvete era italiano legítimo.
O senhor gordo não conseguia se decidir entre um sabor, e estava experimentando um pouco de cada. Naná sentia vontade de esganá-lo, assim como todos os outros clientes que formavam a fila atrás dele. No caixa, Melanie contava o dinheiro com olhos brilhando: o lucro aquele mês seria o mais alto de todos os meses que as duas amigas tiveram desde que pisaram em solo inglês. Impressionante o que as férias faziam!
O sol esmoreceu por completo deixando as ruas escuras. O senhor gordo decidiu-se por chocolate mesmo, depois de ter experimentado pelo menos mais quinze sorvetes diferentes, entre os quais o de "caramelo com ameixas", "frutas exóticas" e "passas com vinho branco". 'Porco americano maldito.', Naná pensou com seus botões. Odiava americanos, odiava. Sentiam-se como se fossem donos da gelateria, e sempre demoravam séculos para escolher o sorvete. Ela preferiria viver muito bem sem o dinheiro deles do que serví-los, mas, bem, é a vida, e ela não podia fazer distinção entre seus visitantes.
Ainda faltavam três pessoas e sete minutos para o último metrô. "Andem, andem, maldição!". Ela atendeu a última bola de sorvete com muito gosto e deixou todo o trabalho para Melanie terminar. "Você mora perto, eu preciso correr para pegar o trem!", gritou antes de sair correndo pela porta.
Ela saiu pela rua como uma louca com o casaco preso pela cintura e deu um pulo alto, sorrindo, ao ver o portão que guardava a estação ainda aberto. Sua intenção de entrar, no entanto, foi frustrada por ver o funcionário de casaco preto aparecer e ir descendo lentamente as grades que a levariam em segurança pra casa.
"AAAAAH!", gritou, incapaz de expressar mais significativamente seus sentimentos e deu meia volta. Tinha que fazer uma dura decisão, agora. Andar para casa e chegar definitivamente mais rápido ou esperar longamente por um ônibus no ponto ali perto?
Sua testa franziu enquanto ela pensava....
[continua.]
Friday, August 22, 2008
"O mundo é dos homens fracos. As pessoas não tem porque ficarem loucas sem ficarem sãs. Que porra é essa? Ah, o mundo como dá voltas e voltas e tudo o mais. Os olhos ficam abertos enquanto interessa ao povo que diomina porque enquanto o Dio não quiser que eles fiquem, eles ficarão cerrados como quem veda para uma chuva forte. E enquanto isso, o piovo trabalha, trabalha com pedras nas costas e sol forte na cabeça, pedindo paz, pedindo calma e o suor do corpo não os deixa esquecer."
Ela terminou de escrever e deu um abraço no homem deitado ao seu lado, com a garganta cheia de nós e os olhos cheio de lágrimas. Apertou o gatilho e sumiu, o bilhete incompreensivel para quem já estivesse acordado, muito claro pra quem continuasse dormindo.
Ela terminou de escrever e deu um abraço no homem deitado ao seu lado, com a garganta cheia de nós e os olhos cheio de lágrimas. Apertou o gatilho e sumiu, o bilhete incompreensivel para quem já estivesse acordado, muito claro pra quem continuasse dormindo.
Trocando em Miúdos.
Bateu o portão sem fazer alarde, levando a carteira de identidade, olhou para trás como numa saideira, com muita saudade, sem conseguir evitar o pensamento de que, que pena!, já ia tarde.
Seu rosto não estava molhado - ele se contorcia por dentro para evitar a qualquer custo derramar uma lágrima sequer. O corvo se agitou dentro dele como quem deseja gritar e sair voando para longe, tão longe que nunca mais ouvissem falar dele.
'Minha hora e vez ainda hão de chegar!', ele repetia para si mesmo, enquanto caminhava sem saber direito para onde ir. Não tinha um apartamento ainda, estava hospedado num hotel do outro lado da cidade. Poderia ter pedido mais uma semana naquela casa que compartilhou por tantos anos com ela, mas não queria. Era sofrer demais.
A família nova chegaria ainda naquela tarde e ele não queria estar lá para recebê-la e despedir-se, como era o costume na cidade. Não, ele deixara um bilhete dizendo alguma coisa sem sentido e gentil para eles e queria ir logo achar um canto novo para morar.
Menos de dois meses atrás e ele vivia como num sonho, naquela casa esverdeada - a cor que ela mais gostava! -, fantasticamente mobiliado com as pequenas coisas que deixavam sua vida feliz. O sofá que demorara anos para ser comprado e que durante muito tempo fora apenas um caixote enorme velho no qual viera a geladeira. A TV que ganharam de presente quando casaram, o fogão de quatro bocas que ela fazia o jantar toda a noite, não porque era obrigada, mas porque gostava de cozinhar.
E de repente, ele acordou e tudo aquilo parecia tão distante, mas tão distante, quase que como nunca tivesse acontecido. Nem o cheiro dela ele conseguia lembrar, não lembrava de como ela gostava de deixar as flores... nada.
O dia fechou e ele resolveu ir para o hotel, sua casa passageira. Ele também estava só de passagem por ali, como que num limbo entre a vida com ela e agora... o resto dos seus dias.
Seu rosto não estava molhado - ele se contorcia por dentro para evitar a qualquer custo derramar uma lágrima sequer. O corvo se agitou dentro dele como quem deseja gritar e sair voando para longe, tão longe que nunca mais ouvissem falar dele.
'Minha hora e vez ainda hão de chegar!', ele repetia para si mesmo, enquanto caminhava sem saber direito para onde ir. Não tinha um apartamento ainda, estava hospedado num hotel do outro lado da cidade. Poderia ter pedido mais uma semana naquela casa que compartilhou por tantos anos com ela, mas não queria. Era sofrer demais.
A família nova chegaria ainda naquela tarde e ele não queria estar lá para recebê-la e despedir-se, como era o costume na cidade. Não, ele deixara um bilhete dizendo alguma coisa sem sentido e gentil para eles e queria ir logo achar um canto novo para morar.
Menos de dois meses atrás e ele vivia como num sonho, naquela casa esverdeada - a cor que ela mais gostava! -, fantasticamente mobiliado com as pequenas coisas que deixavam sua vida feliz. O sofá que demorara anos para ser comprado e que durante muito tempo fora apenas um caixote enorme velho no qual viera a geladeira. A TV que ganharam de presente quando casaram, o fogão de quatro bocas que ela fazia o jantar toda a noite, não porque era obrigada, mas porque gostava de cozinhar.
E de repente, ele acordou e tudo aquilo parecia tão distante, mas tão distante, quase que como nunca tivesse acontecido. Nem o cheiro dela ele conseguia lembrar, não lembrava de como ela gostava de deixar as flores... nada.
O dia fechou e ele resolveu ir para o hotel, sua casa passageira. Ele também estava só de passagem por ali, como que num limbo entre a vida com ela e agora... o resto dos seus dias.
Thursday, August 21, 2008
De febre, na cama, ela sonhava: com coisas que Deus não é capaz de imaginar, que só alguém de fora de tudo consegue propor pra uma mente debilitada. Monstros terríveis pulavam e dançavam sobre seus miolos, o jazz tocava ao fundo e alguma coisa sobrava no canto esquerdo do olho, algo que teimava em molhar seu rosto como sangue.
Ramón e Ramiro, os dois coitados que ela ajudara, estavam presos desde o fiasco do show de ontem a noite. Ela bebera tudo que podia e não podia, a voz mandando-a matar e ela mandando ignorar, o álcool ainda decidindo pra que lado pesar.
O show que queimara, os dois que roubaram o colar para pagar as dívidas e algo que estava em sua bebida não lhe fizera nada, nada bem. O álcool ria de sua debilidade e ela ria, ria, ria de sua insanidade, pois sabia que, a partir daquele momento, estava condenada para todo e todo o sempre.
Os carrascos não tiveram pena e vieram buscá-la às 5h da tarde. Jesus não apareceu para lhe receber, mas tudo bem. Ela abriria os portões do céu à força. Nunca souberam o que a matou primeiro: o tiro ou a consciência. Acharam que ia direto, mas não foi. A bala trespassou o pulmão e lá estancou, fincada por mais dez, quinze minutos do que o esperado.
Que Ele aguardasse mais um pouco, pensou. Olhou para o céu e viu seu executor, rindo, com pena e ódio da menina de olhos claros. A bomba estourou no instante que seu coração deixou de bater e ali, ninguém, eu repito, ninguém exceto eu viveu para contar a história.
Ramón e Ramiro, os dois coitados que ela ajudara, estavam presos desde o fiasco do show de ontem a noite. Ela bebera tudo que podia e não podia, a voz mandando-a matar e ela mandando ignorar, o álcool ainda decidindo pra que lado pesar.
O show que queimara, os dois que roubaram o colar para pagar as dívidas e algo que estava em sua bebida não lhe fizera nada, nada bem. O álcool ria de sua debilidade e ela ria, ria, ria de sua insanidade, pois sabia que, a partir daquele momento, estava condenada para todo e todo o sempre.
Os carrascos não tiveram pena e vieram buscá-la às 5h da tarde. Jesus não apareceu para lhe receber, mas tudo bem. Ela abriria os portões do céu à força. Nunca souberam o que a matou primeiro: o tiro ou a consciência. Acharam que ia direto, mas não foi. A bala trespassou o pulmão e lá estancou, fincada por mais dez, quinze minutos do que o esperado.
Que Ele aguardasse mais um pouco, pensou. Olhou para o céu e viu seu executor, rindo, com pena e ódio da menina de olhos claros. A bomba estourou no instante que seu coração deixou de bater e ali, ninguém, eu repito, ninguém exceto eu viveu para contar a história.
Wednesday, August 20, 2008
Gitana
Ela lembrou-lhe alguém que ele parecia ter conhecido há muito, muito tempo. Aquele nariz arrebitado, o jeito como ela movimentava a saia negra de floreios dourados, o sorriso compenetrado com o qual dançava... Detestava pessoas que dançavam sem sorrir. Era trabalhoso, ele sabia, mas dançar deveria ser antes de tudo um prazer, não pelo único e exclusivo ganho do aplauso.
Mas ela sorria, sorria como ele lembrava de ter visto alguém sorrir há muito tempo mesmo. O sorriso não era somente de boca pra fora, não, ele era completo, assomado aos olhos negros que brilhavam, as covinhas que afundavam e o jeito sonhador com o qual ela batia os sapatos com ferrinho no chão.
Flamencava como se dependesse disso, um ato contínuo, vital como respirar e ela o fazia como um afogado buscava ar. A cintura volteou e o pano voou longe, revelando a meia-calça preta que ela usava.
O show durou mais cinco minutos, mas esses cinco minutos foram aqueles que valeram por horas: ele fincado no chão, hipnotizado pelo jeito dela dançar, embalado pelos sons que tirava do seu sapato.
Tudo cessou de repente e ela subitamente levantou seus olhos para o rapaz que a observava. O cheiro dele a lembrou de alguma coisa que ela já havia esquecido e sim, ela sabia quem ele era: de uma outra fantasia, num carnaval há muito tempo, onde só existiam colombinas, pierrots e arlequins, ela o viu vestir a máscara do palhaço colorido, mas hoje... não parecia ser nem mesmo um simples e tolo Pierrot.
A figura dela formou-se e ele tentou reter com os dedos da memória na sua cabeça quem era ela, mas como veio, se foi. O fogo acalentou por um momento um coração há muito caído na modorra e ele não teve outra escolha a não ser seguir seu caminho, quando voltou a si e resmungou algo como "tempo é dinheiro".
"Uma pena", ela disse para si mesma, cigana de madrepérola, ouro e cetim, e com as moedas que recolhera na dança, partiu serelepe pra casa, a cabeça já voltada para outros assuntos.
Mas ela sorria, sorria como ele lembrava de ter visto alguém sorrir há muito tempo mesmo. O sorriso não era somente de boca pra fora, não, ele era completo, assomado aos olhos negros que brilhavam, as covinhas que afundavam e o jeito sonhador com o qual ela batia os sapatos com ferrinho no chão.
Flamencava como se dependesse disso, um ato contínuo, vital como respirar e ela o fazia como um afogado buscava ar. A cintura volteou e o pano voou longe, revelando a meia-calça preta que ela usava.
O show durou mais cinco minutos, mas esses cinco minutos foram aqueles que valeram por horas: ele fincado no chão, hipnotizado pelo jeito dela dançar, embalado pelos sons que tirava do seu sapato.
Tudo cessou de repente e ela subitamente levantou seus olhos para o rapaz que a observava. O cheiro dele a lembrou de alguma coisa que ela já havia esquecido e sim, ela sabia quem ele era: de uma outra fantasia, num carnaval há muito tempo, onde só existiam colombinas, pierrots e arlequins, ela o viu vestir a máscara do palhaço colorido, mas hoje... não parecia ser nem mesmo um simples e tolo Pierrot.
A figura dela formou-se e ele tentou reter com os dedos da memória na sua cabeça quem era ela, mas como veio, se foi. O fogo acalentou por um momento um coração há muito caído na modorra e ele não teve outra escolha a não ser seguir seu caminho, quando voltou a si e resmungou algo como "tempo é dinheiro".
"Uma pena", ela disse para si mesma, cigana de madrepérola, ouro e cetim, e com as moedas que recolhera na dança, partiu serelepe pra casa, a cabeça já voltada para outros assuntos.
Tuesday, August 19, 2008
Esperamos que você goste muito do show. E tudo começou há vinte anos atrás, quando eu nasci numa estrela distante, longe dos olhos curiosos. Era maravilhoso, com pessoas tão amaváveis e gente que sabia sorrir sem precisar de dentes, nem boca. Nós éramos um povo muito carinhoso, maravilhoso e toda a sorte de adjetivos para dizer que, na verdade, éramos um erro matemático num universo caótico que nunca deveria existir.
===
Provavelmente, o ano o qual vou me lembrar pro resto da vida, continuará sendo ele, do qual eu tenho mais registros sem nunca ter escrito uma única palavra no caderno: dois-mil-e-seis. Porque foi naquele ano onde eu mais vivi, onde eu me senti mais livre, onde eu mais sofri e me fodi. Eu fiz o que queria, tive a oportunidade de fazer tudo, o Kamelot veio pro Brasil e eu não fui. Foi o ano onde eu mais me apaixonei, onde eu coloquei a primeira gota de álcool pra esquecer na boca, onde eu aprendi que a vida não é bem um passeio no parque. Conheci várias pessoas importantes e perdi várias delas ao longo do caminho e aquele ano infernal parecia que nunca iria acabar. Provavelmente foi o ano mais importante da minha vida, cujo verão eu nunca vou esquecer, cuja primeira vez eu vi um amor morrer e das cinzas ainda quentes, nascer outro. Onde eu destruí esperanças, construí novas e onde eu mudei a vida de algumas pessoas para sempre. Nunca me senti tão atuante como eu era naquela época. Eu nunca me senti tão sozinha e tão unida como naquela época. Entretanto, a saudade que sinto hoje é hipócrita: é a saudade dos que acreditam que o passado nunca vai ser pior que o hoje e o futuro. O passado maquiado, como uma feira "renascentista" pretende recuperar os tempos quase-medievais. Onde está a merda?
Mas foi um bom ano e eu dou graças a deus por ele ter passado.
===
Provavelmente, o ano o qual vou me lembrar pro resto da vida, continuará sendo ele, do qual eu tenho mais registros sem nunca ter escrito uma única palavra no caderno: dois-mil-e-seis. Porque foi naquele ano onde eu mais vivi, onde eu me senti mais livre, onde eu mais sofri e me fodi. Eu fiz o que queria, tive a oportunidade de fazer tudo, o Kamelot veio pro Brasil e eu não fui. Foi o ano onde eu mais me apaixonei, onde eu coloquei a primeira gota de álcool pra esquecer na boca, onde eu aprendi que a vida não é bem um passeio no parque. Conheci várias pessoas importantes e perdi várias delas ao longo do caminho e aquele ano infernal parecia que nunca iria acabar. Provavelmente foi o ano mais importante da minha vida, cujo verão eu nunca vou esquecer, cuja primeira vez eu vi um amor morrer e das cinzas ainda quentes, nascer outro. Onde eu destruí esperanças, construí novas e onde eu mudei a vida de algumas pessoas para sempre. Nunca me senti tão atuante como eu era naquela época. Eu nunca me senti tão sozinha e tão unida como naquela época. Entretanto, a saudade que sinto hoje é hipócrita: é a saudade dos que acreditam que o passado nunca vai ser pior que o hoje e o futuro. O passado maquiado, como uma feira "renascentista" pretende recuperar os tempos quase-medievais. Onde está a merda?
Mas foi um bom ano e eu dou graças a deus por ele ter passado.
Monday, August 18, 2008
Não, ela não era do tipo colorida. Ela não chamava atenção na rua, nem se esforçava para isso - se o fizesse , era porque um observador atento ou desocupado olhou para o lado e a percebeu ali, esperando no ponto de ônibus com ele ou andando pela orla da praia.
Ela usava roupas velhas de verdade. Ela era só ridícula - não tinha um estilo próprio. Ridícula não no sentido carinhoso, legal e cool que as pessoas usam hoje em dia, ridículo no sentido vil e mesquinho da palavra. Quer dizer, uma coisa é usar chapéu com um corpete estiloso, um sobretudo engraçado e roupas que deixem você parecendo uma modelo durante o dia inteiro e que definitivamente, ninguém nunca usou de verdade a não ser pra fazer pose.
Ela não fazia isso. Ela tinha um chapéu surrado com cara de filme noir e um sobretudo que ela realmente podia usar de verdade sem passar calor. Ela poderia passar por trás de um filme de época e ser confundida com um cara qualquer figurante e ficar tudo certo.
E nem podia dizer que era preto e branco... preto e branco chama a atenção. Talvez estivesse mais para como a vida de verdade é, sem contrastes altos nem gritantes - uma mistura de tons de cinza.
Ela usava roupas velhas de verdade. Ela era só ridícula - não tinha um estilo próprio. Ridícula não no sentido carinhoso, legal e cool que as pessoas usam hoje em dia, ridículo no sentido vil e mesquinho da palavra. Quer dizer, uma coisa é usar chapéu com um corpete estiloso, um sobretudo engraçado e roupas que deixem você parecendo uma modelo durante o dia inteiro e que definitivamente, ninguém nunca usou de verdade a não ser pra fazer pose.
Ela não fazia isso. Ela tinha um chapéu surrado com cara de filme noir e um sobretudo que ela realmente podia usar de verdade sem passar calor. Ela poderia passar por trás de um filme de época e ser confundida com um cara qualquer figurante e ficar tudo certo.
E nem podia dizer que era preto e branco... preto e branco chama a atenção. Talvez estivesse mais para como a vida de verdade é, sem contrastes altos nem gritantes - uma mistura de tons de cinza.
Tuesday, August 12, 2008
Ótica.
Era ótica, fio de luz, briluz em suas lesmolisas touvas. Tudo roldava e relvia, os gramilvos mimsicavam as pintalouvas e eu sorria um riso louco. Foge da Pucca que Urra, Bravo Bravarte! As palmas brarulhavam o som do silêncio e um grito se vez vivido: o mundo desabava sobre seus fés.E como num sonho triste, você acordou, sem saber o que sentir, sem saber o que falar, pensar, sorrir, com uma idéia fixa na cabeça, como quem não tem o porque dividir.
Saturday, August 09, 2008
You'll see me happy...
...when all the bastards are dead.
E assim, tão de repente, as coisas viraram de cabeça para baixo. O carro bateu com força na árvore, mas não era culpa de ninguém ali dentro. Um infeliz na contra-mão obrigara ao motorista a desviar da pista e, vicissitudes da vida, havia uma árvore no meio do caminho, no meio do caminho havia uma árvore e certamente ninguém ali esqueceria deste acontecimento.
Aninha, a mais nova, tivera as pernas presas por um banco que quebrou, esmagando com tudo a coxa direita dela e quebrando o pé esquerdo, o que a fez urrar de dor por um instante antes de apagar. Felipe, o co-piloto nem conseguiu distinguir direito o que veio depois do choque, só sentia ficar cada vez mais ensopado de algo viscoso - sangue, sem dúvida. A questão era de quem. Gabriel, o motorista, desmaiou imediatamente após sentir uma pontada extremamente forte no peito e a menina que estava logo atrás dele, uma semi-desconhecida que pedira carona após tomar uns tragos, saiu praticamente ilesa, apenas com as faculdades mentais alteradas pelo susto da batida. Não conseguia balbuciar mais do que "Ajuda, ajuda!", o que parecia ser o suficiente.
O carro na contra-mão não parou. Seus ocupantes também não, estavam ocupados demais vivendo a adrenalina de dirigir fora das regras, no lugar errado. Estavam todos com problemas demais nas faculdades conscientes, logo, deixaram para o inconsciente agir sozinho e, com sorte, esperavam encontrar um caminhão para atropelarem tudo, a vida, os problemas, a felicidade, o peso na consciência por toda a desgraça que causaram.
O jornal no dia seguinte noticiaria seus rostos, com um aviso embaixo escrito "Imagens fortes!", e um apelo à juventude para que não dirigisse bêbada, quando na verdade, nem bêbado estavam. Estavam loucos de poder, embriagados por essa droga chamada riqueza, que naquele país, tudo podia, tudo liberava-se.
Os políticos clamavam pelo rigor, pela "Lei Seca", mas e quem iria ajudar Aninha, Felipe, Gabriel e a outra? Quem paga? Quem sabe? O sorriso estampado do piloto quando vira o caminhão respondia. Ninguém. Ninguém.
E assim, tão de repente, as coisas viraram de cabeça para baixo. O carro bateu com força na árvore, mas não era culpa de ninguém ali dentro. Um infeliz na contra-mão obrigara ao motorista a desviar da pista e, vicissitudes da vida, havia uma árvore no meio do caminho, no meio do caminho havia uma árvore e certamente ninguém ali esqueceria deste acontecimento.
Aninha, a mais nova, tivera as pernas presas por um banco que quebrou, esmagando com tudo a coxa direita dela e quebrando o pé esquerdo, o que a fez urrar de dor por um instante antes de apagar. Felipe, o co-piloto nem conseguiu distinguir direito o que veio depois do choque, só sentia ficar cada vez mais ensopado de algo viscoso - sangue, sem dúvida. A questão era de quem. Gabriel, o motorista, desmaiou imediatamente após sentir uma pontada extremamente forte no peito e a menina que estava logo atrás dele, uma semi-desconhecida que pedira carona após tomar uns tragos, saiu praticamente ilesa, apenas com as faculdades mentais alteradas pelo susto da batida. Não conseguia balbuciar mais do que "Ajuda, ajuda!", o que parecia ser o suficiente.
O carro na contra-mão não parou. Seus ocupantes também não, estavam ocupados demais vivendo a adrenalina de dirigir fora das regras, no lugar errado. Estavam todos com problemas demais nas faculdades conscientes, logo, deixaram para o inconsciente agir sozinho e, com sorte, esperavam encontrar um caminhão para atropelarem tudo, a vida, os problemas, a felicidade, o peso na consciência por toda a desgraça que causaram.
O jornal no dia seguinte noticiaria seus rostos, com um aviso embaixo escrito "Imagens fortes!", e um apelo à juventude para que não dirigisse bêbada, quando na verdade, nem bêbado estavam. Estavam loucos de poder, embriagados por essa droga chamada riqueza, que naquele país, tudo podia, tudo liberava-se.
Os políticos clamavam pelo rigor, pela "Lei Seca", mas e quem iria ajudar Aninha, Felipe, Gabriel e a outra? Quem paga? Quem sabe? O sorriso estampado do piloto quando vira o caminhão respondia. Ninguém. Ninguém.
Wednesday, August 06, 2008
The Human Stain
"So it hurts to be alive, my friend, in this masquerade we all one day must die."
Veja as cortinas se levantando! Outra peça está começando a ser apresentada, você não quer sentar e assistir...?
Ela parou em cima da pedra na borda do rio e observu a floresta negra que se erguia do outro lado. Podia perfeitamente entender porque os irmãos Grimm escolheram um lugar como a Alemanha pra inventar suas fábulas tenebrosas, com lobos comedores de vovozinhas e bruxas más em torres altas que comandavam destruição e medo.
Era realmente tenebroso, era realmente para se ter medo. A noite começava a cair e ela entendeu que, talvez, não fosse seguro de verdade estar tão perto assim daquele lugar de onde qualquer coisa poderia sair. Mesmo de dia, aquele lugar parecia aprisionar a luz em algum confim e nunca, nunca deixar que ela encoste o chão. Parecia eternamente frio, apesar do verão.
Lucilla não era dali e nem pretendia se acostumar. Strasbourg, na região de Alsácia e Lorena, ficava numa fronteira inexistente entre o alemão e o francês. Seus habitantes eram sombrios e não gostavam de quem vinha de fora, mesmo pra quem ia estudar numa escola famosa de artes que ali se encontrava e que gerava uma renda anual decente para a cidade graças à alta mensalidade que cobrava. Ela tinha a impressão de que especialmente esses eram os mais detestados.
A Lua se ergueu no céu, grandiosa e finalmente soberana na noite escura que só estendia suas garras a partir das 22h, 23h durante aquela estação. A menina de cabelos negros e olhos castanhos pulou do lugar onde ela buscava inspiração e pareceu muito baixinha pra quem a observou naquele instante.
Estava quase desistindo do curso. Os professores eram bons, mas estranhos, frios, mecânicos na sua originalidade. A cidade definitivamente não era acolhedora, o custo de vida era alto, e era exatamente nisso que ela pensava quando caminhava de volta para o lugar onde morava, na periferia de Strasbourg, num bairro chamado Koeningshoffen, perto de Hautepierre. Casinha simples, mas cujo aluguel cobravam o olho da cara! 50 dinheiros! Era muito, um nível absurdo e ela ainda tinha que andar tanto para chegar à escola...
Prestou atenção ao caminho, enquanto dava às costas para o mundo sombrio medieval lá fora. A catedral gótica já podia ser vista quando ela se deu conta de que andara demais e passara a entrada que a levava para o bairro isolado onde vivia.
A catedral era um lugar bonito. Parecia realmente um reino de santidade em meio aos terrores noturnos que espreitavam do lado de fora. Lucilla ouviu uivos e pensou que talvez fosse uma boa idéia acelerar o passo.
Não gostava de lobos e a idéia de morar perto de uma floresta infestada com matilhas deles não lhe era aprazível. Mais um motivo para trancar o curso e ir fazer suas aulas em outro lugar. Ouvira dizer que estavam abrindo um atelie muito interessante em Paris e nesses tempos modernos, quem sabe, eles aceitassem mulheres.
Apressou o passo e passou pela obra faraônica que estavam construindo em Hautepierre: um imenso hospital, que atenderia a necessidade de todos, homens, mulheres, nobres ou pobres. Um avanço impressionante, mas por enquanto, um monte de vigas com um teto, que formavam o refúgio preferido de bêbados, salteadores e sem-teto.
Lucilla sentia um certo frio na barriga ao passar por lá. Nunca se sabe o que poderia atacá-la ali - e ela, bom, ela nunca soube mesmo. O grito veio num susto, junto com a sensação de mãos (ou seriam patas?) em seu pescoço, seguido de um estrangulamento rápido, praticamente indolor, que não deixou um corpo para evidenciar o que acontecera no dia seguinte.
Realmente, o preço da vida estava alto em Strasburgo, e a coisa sabia bem disso também: carne fresca estava cada vez mais minguada e rara de aparecer.
Veja as cortinas se levantando! Outra peça está começando a ser apresentada, você não quer sentar e assistir...?
Ela parou em cima da pedra na borda do rio e observu a floresta negra que se erguia do outro lado. Podia perfeitamente entender porque os irmãos Grimm escolheram um lugar como a Alemanha pra inventar suas fábulas tenebrosas, com lobos comedores de vovozinhas e bruxas más em torres altas que comandavam destruição e medo.
Era realmente tenebroso, era realmente para se ter medo. A noite começava a cair e ela entendeu que, talvez, não fosse seguro de verdade estar tão perto assim daquele lugar de onde qualquer coisa poderia sair. Mesmo de dia, aquele lugar parecia aprisionar a luz em algum confim e nunca, nunca deixar que ela encoste o chão. Parecia eternamente frio, apesar do verão.
Lucilla não era dali e nem pretendia se acostumar. Strasbourg, na região de Alsácia e Lorena, ficava numa fronteira inexistente entre o alemão e o francês. Seus habitantes eram sombrios e não gostavam de quem vinha de fora, mesmo pra quem ia estudar numa escola famosa de artes que ali se encontrava e que gerava uma renda anual decente para a cidade graças à alta mensalidade que cobrava. Ela tinha a impressão de que especialmente esses eram os mais detestados.
A Lua se ergueu no céu, grandiosa e finalmente soberana na noite escura que só estendia suas garras a partir das 22h, 23h durante aquela estação. A menina de cabelos negros e olhos castanhos pulou do lugar onde ela buscava inspiração e pareceu muito baixinha pra quem a observou naquele instante.
Estava quase desistindo do curso. Os professores eram bons, mas estranhos, frios, mecânicos na sua originalidade. A cidade definitivamente não era acolhedora, o custo de vida era alto, e era exatamente nisso que ela pensava quando caminhava de volta para o lugar onde morava, na periferia de Strasbourg, num bairro chamado Koeningshoffen, perto de Hautepierre. Casinha simples, mas cujo aluguel cobravam o olho da cara! 50 dinheiros! Era muito, um nível absurdo e ela ainda tinha que andar tanto para chegar à escola...
Prestou atenção ao caminho, enquanto dava às costas para o mundo sombrio medieval lá fora. A catedral gótica já podia ser vista quando ela se deu conta de que andara demais e passara a entrada que a levava para o bairro isolado onde vivia.
A catedral era um lugar bonito. Parecia realmente um reino de santidade em meio aos terrores noturnos que espreitavam do lado de fora. Lucilla ouviu uivos e pensou que talvez fosse uma boa idéia acelerar o passo.
Não gostava de lobos e a idéia de morar perto de uma floresta infestada com matilhas deles não lhe era aprazível. Mais um motivo para trancar o curso e ir fazer suas aulas em outro lugar. Ouvira dizer que estavam abrindo um atelie muito interessante em Paris e nesses tempos modernos, quem sabe, eles aceitassem mulheres.
Apressou o passo e passou pela obra faraônica que estavam construindo em Hautepierre: um imenso hospital, que atenderia a necessidade de todos, homens, mulheres, nobres ou pobres. Um avanço impressionante, mas por enquanto, um monte de vigas com um teto, que formavam o refúgio preferido de bêbados, salteadores e sem-teto.
Lucilla sentia um certo frio na barriga ao passar por lá. Nunca se sabe o que poderia atacá-la ali - e ela, bom, ela nunca soube mesmo. O grito veio num susto, junto com a sensação de mãos (ou seriam patas?) em seu pescoço, seguido de um estrangulamento rápido, praticamente indolor, que não deixou um corpo para evidenciar o que acontecera no dia seguinte.
Realmente, o preço da vida estava alto em Strasburgo, e a coisa sabia bem disso também: carne fresca estava cada vez mais minguada e rara de aparecer.
Tuesday, August 05, 2008
Ela detestava quando isso acontecia.
Provavelmente, era a pior parte de inventar histórias: quando ela fazia enredos tão bem feitos e tão bonitinhos, amarradinhos, cabíveis que simplesmente começava a acreditar nisso de verdade. O mais irritante de tudo é que cada vez mais o que era coisa rara tornou-se lugar comum.
Começou como uma mania para dar mais profundidade às suas histórias. A idéia, a princípio, era melhorar o enredo até que ficasse algo tão plausível, mas tão plausível que ela pudesse simplesmente acreditar sem ter medo.
Era legal quando isso acontecia com histórias de fantasia - países mágicos, portais interdimensionais, fadas e coisas do gênero dão um pouco de magia à vida que pode fazer uma melhora sensível no humor de alguém, que passa a se tornar desperto, curioso e bem... feliz.
Foi avançando devagarzinho para outras áreas, conforme ela ia migrando de gênero pra escrever. Chegou a pensar em montar uma agência de detetives quando teve a idéia para seus amigos "Jack e Lia.", o clássico casal que lembrava muito o seriado "A Gata e o Rato". Ficava prestando atenção em qualquer coisa fora do normal nas redondezas e passou a ter o telefone da polícia no celular. Comprou até um sobretudo classe A, apesar do calor infernal que fazia na cidade onde morava.
Cansou do estilo rápido. Agatha Christie começou a se tornar repetitivo, e Hercule Poirot deixou de ser um gênio pra se tornar só um chatinho belga com bigodes engraçados. Entretanto, a parte de policial acabou levando para outro terreno, até então, pouco explorado: quadrinhos. Foi aí que a vida começou a ficar mais fácil.
Nao que ela ligasse muito pra imagens - no geral, ela preferia as mil palavras do que a tal "boa foto" - mas depois de descobrir o mundo mágico das hq's, ela percebeu que facilitava muito seu trabalho de acreditar, afinal, se as figuras não substituem as palavras, elas ajudam bastante a complementar.
Ultimamente, entretanto, andava pendendo para assuntos um tanto quanto apavorantes. Depois de ler "Lovecraft", em quadrinho, resolveu abrir os velhos livros dos quais tinha medo quando criança e que agora pareceriam um pouco mais inofensivos.
Aí o velho hábito pegou. Suas noites nunca mais foram tão bem dormidas e apesar de, no fundo no fundo, ela sabia que gostava de sentir medo, percebeu que, talvez, fosse hora de procurar um psiquiatra para tratar dessa sua pequena mania.
"Psiquiatra, não, né. Psicólogo. Ainda não cheguei neste grau de loucura.", pensou consigo mesma naquele dia que refletia sobre tudo isso na rua.
Ela estendeu a mão e pensou ter sentido uma gota de água. Era só o que faltava. Depois de seis mil aulas naquele dia, com um sol de rachar lá fora, quando ela finalmente encontrava-se livre para aproveitar o universo, TINHA que chover.
Respirou fundo e procurou não praguejar: esse era outro hábito de gente louca que ela não podia se dar ao luxo de incorporar. "Só um já tá bom, por enquanto.". Sorriu pra si mesma, sarcasticamente. "Mas que dá vontade de mandar tomar no... dá."
A chuva apertou e ela se abrigou no primeiro lugar que apareceu. Sabia que era um perigo ficar embaixo de uma marquise de concreto mal feita e com mais de cinquenta anos, mas não tinha muita importância. Do jeito que detestava tomar chuva sem estar no humor pra isso, preferia o concreto. Sem sombra de dúvida.
Olhou o relógio e constatou que ia se atrasar para o jantar em família. Vida de pedestre é dureza, especialmente se é dureza o suficiente de estar sem grana pra ônibus. "Andar é bom e emagrece, mas andar na chuva ninguém merece. Olha só, rimou!". Bateu palmas como uma criança feliz ou como uma louca retardada.
Virou-se para observar a loja atrás e constatou que era uma daqueles estabelecimentos de brinquedos antigos. Não que fossem antigos de verdade, em idade, mas aquelas coisas que a gente não vê mais todo dia: marionetes, bonecos de madeira, bonecas de macela, casinhas para brincar, forte apache, tudo feito pelas mãos habilidosas de um artesão que ela conseguia visualizar quase como um Gepetto.
Ela ainda se sentia muito criança, às vezes. Seu olhar ficou fascinado nas formas que via. Era o tipo de lugar que muito provavelmente poderia ganhar vida à noite, enquanto ela não estivesse olhando! E aí, teria uma princesa de macela como aquela, o palhaço da corte de massinha como aquele e...
E seus pensamentos voltaram-se para aquela bruxa de marionete. Ela a encarava de volta com seu olhar de boneca de madeira e seu sorriso imóvel entalhado. Imediatamente não gostou dela. Portava uma varinha tosca que parecia mais uma estaca pronta para apunhalar alguém do que uma coisa meio etérea de condão.
Pior que tudo é que era uma fucking marionete! Os fios... eles poderiam ser usados como uma arma à parte! Será que ela dava vida à todos? Será que eram todos como Chuck, o Boneco Assassino, na época em que ele era realmente assustador e não um terror trash de rir?
Será que eram pessoas transformadas em bonecas? Será que elas queriam ajuda? Ou será que só queriam vingança? Será que ela estava sendo atraída lá para dentro por uma força misteriosa?
Será que a porta da loja estava aberta?
[...continua?...]
Provavelmente, era a pior parte de inventar histórias: quando ela fazia enredos tão bem feitos e tão bonitinhos, amarradinhos, cabíveis que simplesmente começava a acreditar nisso de verdade. O mais irritante de tudo é que cada vez mais o que era coisa rara tornou-se lugar comum.
Começou como uma mania para dar mais profundidade às suas histórias. A idéia, a princípio, era melhorar o enredo até que ficasse algo tão plausível, mas tão plausível que ela pudesse simplesmente acreditar sem ter medo.
Era legal quando isso acontecia com histórias de fantasia - países mágicos, portais interdimensionais, fadas e coisas do gênero dão um pouco de magia à vida que pode fazer uma melhora sensível no humor de alguém, que passa a se tornar desperto, curioso e bem... feliz.
Foi avançando devagarzinho para outras áreas, conforme ela ia migrando de gênero pra escrever. Chegou a pensar em montar uma agência de detetives quando teve a idéia para seus amigos "Jack e Lia.", o clássico casal que lembrava muito o seriado "A Gata e o Rato". Ficava prestando atenção em qualquer coisa fora do normal nas redondezas e passou a ter o telefone da polícia no celular. Comprou até um sobretudo classe A, apesar do calor infernal que fazia na cidade onde morava.
Cansou do estilo rápido. Agatha Christie começou a se tornar repetitivo, e Hercule Poirot deixou de ser um gênio pra se tornar só um chatinho belga com bigodes engraçados. Entretanto, a parte de policial acabou levando para outro terreno, até então, pouco explorado: quadrinhos. Foi aí que a vida começou a ficar mais fácil.
Nao que ela ligasse muito pra imagens - no geral, ela preferia as mil palavras do que a tal "boa foto" - mas depois de descobrir o mundo mágico das hq's, ela percebeu que facilitava muito seu trabalho de acreditar, afinal, se as figuras não substituem as palavras, elas ajudam bastante a complementar.
Ultimamente, entretanto, andava pendendo para assuntos um tanto quanto apavorantes. Depois de ler "Lovecraft", em quadrinho, resolveu abrir os velhos livros dos quais tinha medo quando criança e que agora pareceriam um pouco mais inofensivos.
Aí o velho hábito pegou. Suas noites nunca mais foram tão bem dormidas e apesar de, no fundo no fundo, ela sabia que gostava de sentir medo, percebeu que, talvez, fosse hora de procurar um psiquiatra para tratar dessa sua pequena mania.
"Psiquiatra, não, né. Psicólogo. Ainda não cheguei neste grau de loucura.", pensou consigo mesma naquele dia que refletia sobre tudo isso na rua.
Ela estendeu a mão e pensou ter sentido uma gota de água. Era só o que faltava. Depois de seis mil aulas naquele dia, com um sol de rachar lá fora, quando ela finalmente encontrava-se livre para aproveitar o universo, TINHA que chover.
Respirou fundo e procurou não praguejar: esse era outro hábito de gente louca que ela não podia se dar ao luxo de incorporar. "Só um já tá bom, por enquanto.". Sorriu pra si mesma, sarcasticamente. "Mas que dá vontade de mandar tomar no... dá."
A chuva apertou e ela se abrigou no primeiro lugar que apareceu. Sabia que era um perigo ficar embaixo de uma marquise de concreto mal feita e com mais de cinquenta anos, mas não tinha muita importância. Do jeito que detestava tomar chuva sem estar no humor pra isso, preferia o concreto. Sem sombra de dúvida.
Olhou o relógio e constatou que ia se atrasar para o jantar em família. Vida de pedestre é dureza, especialmente se é dureza o suficiente de estar sem grana pra ônibus. "Andar é bom e emagrece, mas andar na chuva ninguém merece. Olha só, rimou!". Bateu palmas como uma criança feliz ou como uma louca retardada.
Virou-se para observar a loja atrás e constatou que era uma daqueles estabelecimentos de brinquedos antigos. Não que fossem antigos de verdade, em idade, mas aquelas coisas que a gente não vê mais todo dia: marionetes, bonecos de madeira, bonecas de macela, casinhas para brincar, forte apache, tudo feito pelas mãos habilidosas de um artesão que ela conseguia visualizar quase como um Gepetto.
Ela ainda se sentia muito criança, às vezes. Seu olhar ficou fascinado nas formas que via. Era o tipo de lugar que muito provavelmente poderia ganhar vida à noite, enquanto ela não estivesse olhando! E aí, teria uma princesa de macela como aquela, o palhaço da corte de massinha como aquele e...
E seus pensamentos voltaram-se para aquela bruxa de marionete. Ela a encarava de volta com seu olhar de boneca de madeira e seu sorriso imóvel entalhado. Imediatamente não gostou dela. Portava uma varinha tosca que parecia mais uma estaca pronta para apunhalar alguém do que uma coisa meio etérea de condão.
Pior que tudo é que era uma fucking marionete! Os fios... eles poderiam ser usados como uma arma à parte! Será que ela dava vida à todos? Será que eram todos como Chuck, o Boneco Assassino, na época em que ele era realmente assustador e não um terror trash de rir?
Será que eram pessoas transformadas em bonecas? Será que elas queriam ajuda? Ou será que só queriam vingança? Será que ela estava sendo atraída lá para dentro por uma força misteriosa?
Será que a porta da loja estava aberta?
[...continua?...]
Monday, June 23, 2008
Friday, June 06, 2008
Minha Banda!

^
Ca
Ladys and Gentleman, apresento-lhes a:
DUNAMA IX LEFLAMI!
Grande sucesso com o CD: Where I've Never Been. ;)
1) acesse http://en.wikipedia.org/wiki/Special:Random - o título da primeira página aleatória que aparecer será o nome da sua banda.
2) vá pra http://www.quotationspage.com/random.php3 - as últimas quatro palavras da última frase da página formarão o título do seu disco.
3) acesse http://www.flickr.com/explore/interesting/7days/ - a terceira foto, não importa qual seja, será a capa do seu disco
Copiado do Pargarávio. =D
1) acesse http://en.wikipedia.org/wiki/Special:Random - o título da primeira página aleatória que aparecer será o nome da sua banda.
2) vá pra http://www.quotationspage.com/random.php3 - as últimas quatro palavras da última frase da página formarão o título do seu disco.
3) acesse http://www.flickr.com/explore/interesting/7days/ - a terceira foto, não importa qual seja, será a capa do seu disco
Copiado do Pargarávio. =D
Sunday, June 01, 2008
Pork and Beans
"Internet people, who are you?! =D"
O segredo - peguei uma certa neura a usar essa palavra. Parece que estou tentando vender alguma coisa pra algum idiota comprar. Hmm. O que não é totalmente errado no caso do blog, tirando a parte de ganhar algum dinheiro com isso. - da vida é perder o medo do ridículo. Pode ser saudável até certo ponto, sabe, ter medo de pagar mico, porque no geral poupa alguém querido de sofrimento e constrangimento, mas vamos e venhamos, para alguém como eu, ter medo do ridículo te tira várias histórias engraçadas que você poderia colocar num livro ou contar pros seus netos.
Admiro muito aquele cara que escreveu "Ria da Minha Vida antes que eu Ria da Sua". Ele deve ser o maior ownado do universo, mas poxa, que coragem e que esperto o jeito como ele virou o jogo. A vida ownou ele, e ele ownou a vida de volta. Hááá! É bem aquela frase de "se a vida te der limões, faça muitos dinheiros espremendo limonada". =P
Um dia eu ainda vou colocar um vídeo retardado meu no youtube, nem que seja o clássico Free Hugs, que eu sempre quis fazer mas nunca encontrei tempo para fazer... eu queria!
ALL YOUR BASE ARE BELONG TO US!
Coisas mágicas que a gente só vê na internet:
My Dick on a Box
Tapa na pantera!
Sanduíche-íche!
All your base are belong to us!
Snakes on a Plane!
GEEKS IN LOVE!
Angry german kid.
Peanut Butter Jelly Time
Wanna buy a Ghost?
Você comeria uma aranha em troca de uma Ferrari?
Menininho e seu nintendo 64
Super Mario GTA
Todas as propagandas da Sprite - lembra do amigo Sprite?
White and Nerdy
Charlie, the Unicorn 1 e 2!
Evolution of Dance
Chocolate Rain - MUITO FODA!
Laços - vencedor do prêmio youtube.
BERTULINA - pela Marli
O cara do What is the Brother.
Daft Punk Mãozinhas
Aliás, Interstella 5555, por favor.
E todos aqueles clipes toscos antigos que a gente gostava de assistir: Backstreet Boys, Spice Girls, pedaços de filmes, desenhos animados em traduções bizarras e aberturas de desenhos antigos...
E O FILME DO BÁTEMA! Feira da Fruta, aê, feira da fruta ahá! Comé que uma porra dessa pode se verdade, comissário?
Internet people, we love you =D
O segredo - peguei uma certa neura a usar essa palavra. Parece que estou tentando vender alguma coisa pra algum idiota comprar. Hmm. O que não é totalmente errado no caso do blog, tirando a parte de ganhar algum dinheiro com isso. - da vida é perder o medo do ridículo. Pode ser saudável até certo ponto, sabe, ter medo de pagar mico, porque no geral poupa alguém querido de sofrimento e constrangimento, mas vamos e venhamos, para alguém como eu, ter medo do ridículo te tira várias histórias engraçadas que você poderia colocar num livro ou contar pros seus netos.
Admiro muito aquele cara que escreveu "Ria da Minha Vida antes que eu Ria da Sua". Ele deve ser o maior ownado do universo, mas poxa, que coragem e que esperto o jeito como ele virou o jogo. A vida ownou ele, e ele ownou a vida de volta. Hááá! É bem aquela frase de "se a vida te der limões, faça muitos dinheiros espremendo limonada". =P
Um dia eu ainda vou colocar um vídeo retardado meu no youtube, nem que seja o clássico Free Hugs, que eu sempre quis fazer mas nunca encontrei tempo para fazer... eu queria!
ALL YOUR BASE ARE BELONG TO US!
Coisas mágicas que a gente só vê na internet:
My Dick on a Box
Tapa na pantera!
Sanduíche-íche!
All your base are belong to us!
Snakes on a Plane!
GEEKS IN LOVE!
Angry german kid.
Peanut Butter Jelly Time
Wanna buy a Ghost?
Você comeria uma aranha em troca de uma Ferrari?
Menininho e seu nintendo 64
Super Mario GTA
Todas as propagandas da Sprite - lembra do amigo Sprite?
White and Nerdy
Charlie, the Unicorn 1 e 2!
Evolution of Dance
Chocolate Rain - MUITO FODA!
Laços - vencedor do prêmio youtube.
BERTULINA - pela Marli
O cara do What is the Brother.
Daft Punk Mãozinhas
Aliás, Interstella 5555, por favor.
E todos aqueles clipes toscos antigos que a gente gostava de assistir: Backstreet Boys, Spice Girls, pedaços de filmes, desenhos animados em traduções bizarras e aberturas de desenhos antigos...
E O FILME DO BÁTEMA! Feira da Fruta, aê, feira da fruta ahá! Comé que uma porra dessa pode se verdade, comissário?
Internet people, we love you =D
Thursday, May 22, 2008
Profusão de Pensamentos.
Acordo pensando no que sonhei depois de dormir. Com o rosto ainda confuso e marcado por tais sonhos, me arrasto pé-ante-pé até o banheiro, para lavar-me a cara, despertar o cérebro.
Miro o espelho, velho amigo e conhecido de todas as mulheres em suas horas felizes e de mágoas. Dessa vez, ele não reflete uma outra personalidade, uma moça do futuro ou do passado, nem um espírito apavorante, nada que pudesse chamar atenção, mas apenas e tão somente, um eu cansado depois de acordar.
E aí, antes de jogar uma água, puxo meus cabelos para trás e me observo ali, os olhos. Aqueles olhos. Mais vivos do que todo o resto. Tudo pode estar completamente errado, mas meus olhos demonstram o que sinto por dentro: viva.
Estou gorda, meus olhos mostram que vou mudar, estou certa, vamos comemorar, estou errada, vou consertar e assim por diante.
Há anos que não notava direito meus olhos. Sempre tinha gostado muito deles, mas é que às vezes, por causa dos óculos, por causa da vida e dos seus afazeres e correrias, eu simplesmente considerei eles parte do rosto e nada mais.
Postei há muito tempo, um texto com o tema dos olhos janelas-da-alma, e lembrei-me exatamente disso quando me olhei no espelho. Apesar do corpo caído, minha alma anda muito saudável...
[...razbliuto...]
Miro o espelho, velho amigo e conhecido de todas as mulheres em suas horas felizes e de mágoas. Dessa vez, ele não reflete uma outra personalidade, uma moça do futuro ou do passado, nem um espírito apavorante, nada que pudesse chamar atenção, mas apenas e tão somente, um eu cansado depois de acordar.
E aí, antes de jogar uma água, puxo meus cabelos para trás e me observo ali, os olhos. Aqueles olhos. Mais vivos do que todo o resto. Tudo pode estar completamente errado, mas meus olhos demonstram o que sinto por dentro: viva.
Estou gorda, meus olhos mostram que vou mudar, estou certa, vamos comemorar, estou errada, vou consertar e assim por diante.
Há anos que não notava direito meus olhos. Sempre tinha gostado muito deles, mas é que às vezes, por causa dos óculos, por causa da vida e dos seus afazeres e correrias, eu simplesmente considerei eles parte do rosto e nada mais.
Postei há muito tempo, um texto com o tema dos olhos janelas-da-alma, e lembrei-me exatamente disso quando me olhei no espelho. Apesar do corpo caído, minha alma anda muito saudável...
[...razbliuto...]
Wednesday, May 14, 2008
"É assim que as moças como ela costumam agir. Otelo encantou Desdêmona contando-lhe histórias. Mas será que Desdêmona não encantou Otelo pela maneira como escutava?"
Sir. Eustace Pedler, o senhor é um gênio.
["O Homem do Terno Marrom", da Agatha Christie, é um dos meus livros favoritos de todos os tempos. Toda moça com uma gota de romantismo aventureiro na veia deveria ler esse livro. Viva Anne Beddingfeld!]
Sir. Eustace Pedler, o senhor é um gênio.
["O Homem do Terno Marrom", da Agatha Christie, é um dos meus livros favoritos de todos os tempos. Toda moça com uma gota de romantismo aventureiro na veia deveria ler esse livro. Viva Anne Beddingfeld!]
Monday, May 12, 2008
Quentinha
Quando sentei para escrever alguma coisa aqui, pensei primeiramente que gostaria de escrever algo quentinho.
É difícil querer escrever sem ter uma história, sem ter um fio da meada, mas de meu livro de inspiração eu faço o mundo - e o mundo hoje está realmente frio. Estava um dia nem feio nem bonito, cheio de pessoas doentes e gripadas, com seus narizes escorrendo e arrastando o passo pelo corredor da escola.
E quando eu cheguei no fundo da classe, sentada na frente de uma moça de casaco listrado verde e cinza, um tanto quanto falante que me cumprimentou hoje com um "Nossa, você está acabada", percebi que seria um dia realmente frio se eu não fizesse alguma coisa.
Coloquei um casaco e isso aqueceu meu corpo e acalentou minha alma. Voltei-me para as pessoas ao meu redor e tentei sorrir, ser simpática e fazer graça com as melecas do meu nariz - que fungava, fungava e fungava.
O moço ao meu lado estava um tanto quanto sorridente hoje, o que tornou nossa convivência um pouco mais agradável do que vinha sendo ultimamente. O "arcanjo" - como ele costumava se apelidar nas histórias infindáveis que ele escreve no mesmo caderno desde sempre - estava mais parecido com um ser gente hoje.
A moça já citada do casaco listrado estava contente porque seus planos estavam correndo muito bem e eu a via se dando cada vez melhor com o rapaz ao seu lado: um ser smurfético de lentes de contato que às vezes desfocavam. Eles riam e eu percebia que eles não pareciam ter frio hoje.
Olhei para o outro lado: pessoas muito ocupadas em seus afazeres, mas que mesmo com frio procuravam-se se esquentar. O moço alto que costuma ser meu melhor amigo, parecia de bom humor, especialmente porque seu nariz - costumeiramente cheio de 'atchoos' - estava cooperando com seu estado de espírito.
Uma moça de cabelos ruivos estudava e estudava, mas sei que ela pensava num show de guitarra que faria numa sexta-feira próxima. Assim como outra, de cabelo sempre preso em coque e sorriso engraçado, de olhos verdadeiros, que ansiava por alguma coisa que eu não sabia bem o que.
Era com isso que me aquecia: tentando adivinhar o que cada um estava pensando. Sei que a querida estressada estava estudando física compenetradamente, mas em qual dos rapazes que ela vinha me falar estaria pensando?
No fim do dia, eu merecia um descanso enquanto pensava no que vir escrever aqui, e tudo se resumiu com o moço de cabelos compridos falando sobre uma certa (eu) moleca quentinha...
Quentinha, quentinha...
Acho que hoje eu entendo a importância do Superman ser quentinho, Lois... ;D
É difícil querer escrever sem ter uma história, sem ter um fio da meada, mas de meu livro de inspiração eu faço o mundo - e o mundo hoje está realmente frio. Estava um dia nem feio nem bonito, cheio de pessoas doentes e gripadas, com seus narizes escorrendo e arrastando o passo pelo corredor da escola.
E quando eu cheguei no fundo da classe, sentada na frente de uma moça de casaco listrado verde e cinza, um tanto quanto falante que me cumprimentou hoje com um "Nossa, você está acabada", percebi que seria um dia realmente frio se eu não fizesse alguma coisa.
Coloquei um casaco e isso aqueceu meu corpo e acalentou minha alma. Voltei-me para as pessoas ao meu redor e tentei sorrir, ser simpática e fazer graça com as melecas do meu nariz - que fungava, fungava e fungava.
O moço ao meu lado estava um tanto quanto sorridente hoje, o que tornou nossa convivência um pouco mais agradável do que vinha sendo ultimamente. O "arcanjo" - como ele costumava se apelidar nas histórias infindáveis que ele escreve no mesmo caderno desde sempre - estava mais parecido com um ser gente hoje.
A moça já citada do casaco listrado estava contente porque seus planos estavam correndo muito bem e eu a via se dando cada vez melhor com o rapaz ao seu lado: um ser smurfético de lentes de contato que às vezes desfocavam. Eles riam e eu percebia que eles não pareciam ter frio hoje.
Olhei para o outro lado: pessoas muito ocupadas em seus afazeres, mas que mesmo com frio procuravam-se se esquentar. O moço alto que costuma ser meu melhor amigo, parecia de bom humor, especialmente porque seu nariz - costumeiramente cheio de 'atchoos' - estava cooperando com seu estado de espírito.
Uma moça de cabelos ruivos estudava e estudava, mas sei que ela pensava num show de guitarra que faria numa sexta-feira próxima. Assim como outra, de cabelo sempre preso em coque e sorriso engraçado, de olhos verdadeiros, que ansiava por alguma coisa que eu não sabia bem o que.
Era com isso que me aquecia: tentando adivinhar o que cada um estava pensando. Sei que a querida estressada estava estudando física compenetradamente, mas em qual dos rapazes que ela vinha me falar estaria pensando?
No fim do dia, eu merecia um descanso enquanto pensava no que vir escrever aqui, e tudo se resumiu com o moço de cabelos compridos falando sobre uma certa (eu) moleca quentinha...
Quentinha, quentinha...
Acho que hoje eu entendo a importância do Superman ser quentinho, Lois... ;D
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