Wednesday, November 01, 2006

Espera.

Tique-taque.

Ela piscou duas vezes e sorriu para o relógio de gato preso a parede.

Tique-taque.

Era um sorriso psicótico, de quem espera algo que não vem, uma resposta da vida que não iria chegar. E tique-taque.

Tinha algo entre seus dezessete e vinte e dois anos e, definitivamente, não era feia. Uma marca no canto da boca, quase imperceptível, revelava que não muito tempo atrás havia sido alvo de alguma agressão, mas hoje, estava quase apagado qualquer traço que pudesse denunciar.

O relógio de gatinho tiquetaqueava na parede, ecoando por todo o cômodo, e ela sentada no sofá branco-consultório, esperava. Os olhos do bichano na parede viravam de um lado para outro, acentuando o efeito aflitivo daquele lugar.

Esperas. A vida em si era uma ante-sala para a morte. Ela tinha consciência disso e procurou fixar seu olhar na porta branca. Abriria a qualquer momento. Precisava disso. Queria isso. Mentalizou toda sua vontade naquela maçaneta.

"Coitada", pensou ele a observando lá de cima.

É uma pena que nunca aconteceria.

Tique-taque.

2 comments:

Anonymous said...

A vida é um esperar eterno por algo que nunca saberemos o que é. A melhor solução é viver, ou seja, matar o tempo enquanto isso.

Gabriel Lupos Black said...

Hmm

Muito interessante. Gostei demais.

Beijo.

46 dias!!!