Assim que colocou os pés em casa, se atirou na sua cama recém arrumada e embolou-se entre os lençóis. Não era que o dia tivesse sido algo de ruim, ou por um motivo em especial ela se sentisse mal. Não era nada disso...
Havia algo que incomodava. Não era concreto, não era uma dor física, ou ao menos, algo que ela pudesse fazer melhorar de algum jeito. A música no rádio tocava de novo e de novo e de novo e de novo, num looping infinito que sua dona ordenava em seus sentimentos perturbados.
Não tinha a menor idéia do que a chateava tanto naquele momento, mas a sua única vontade era desmarcar todo e qualquer compromisso que pudesse ter, sumir o fim de semana inteiro.
Soluçou e suspirou com a cabeça enfiada numa fronha de travesseiro. Que havia com ela?
O espinho alojou-se mais fundo do lado esquerdo de seu peito e, inconscientemente, num outro canto da cidade, o rapaz gemeu de dor.
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1 comment:
Essas coisas são assim mesmo. Com o tempo nos conseguimos achar algum ratinho para tirar o espinho de nossas patas.
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