Ao meu querido anjo caído, queria apenas dizer algumas coisas.
Queria olhar-te nos olhos novamente e dizer-te isso pessoalmente, mas todos a essa altura devem saber o quão covarde eu sou. Não são muitos com grandes poderes como eu que se escondem das responsabilidades de cuidar - que péssimo pai eu devo ser.
Você deve saber isso mais do que ninguém, meu querido anjo. Afinal, fostes meu filho favorito de toda aquela ninhada de bastardos sem mãe que tive, de todos, o único que realmente pensava e me orgulhava.
Hoje admito o quão egoísta eu fui. O quão egoísta eu sou. Não poderia ter dado em outra, contudo, criado como fui e do modo como eduquei meu séquito, de forma a nenhum nunca nunca nunca me deixar faltar nada. Meu querido anjo caído, como pude não ver que tudo que fizeste só foi apenas para não me deixar cego em meu esplendor?
Talvez eu me arrependa.
Meu querido anjo caído: sinto saudades de nossas brigas e de tua voz, a mais alta do coro e a mais límpida. Gostaria de ouvi-la novamente, nem que fosse só para brigar comigo como tantas vezes fizemos e como juramos fazer até o fim dos tempos.
Ah, o fim dos tempos. Outro evento que tu tomaste para si mesmo, não é? "Chegará uma hora em que irás interferir". "Duvido", eu retruquei. E você prometeu que arquitetaria aquilo para mim e então, foi embora. A essa altura eu provavelmente já estaria puto da vida.
Querido anjo caído, quero te ver entre os meus de novo. Posso te dar uma chance de melhorar e voltar assim do seu recluso exilio - onde aprendeste viver por tua própria conta, longe de meus braços protetores, e criaste teu próprio domínio, longe do meu. - Quero te ter como meu preferido novamente.
Meu querido anjo caído: eu posso te perdoar. Basta você me pedir.
Deus.
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
3 comments:
Realmente tu devia abraçar aquela idéia de fundar uma religião.
Adorei. Perfeito
Morningstar?
Post a Comment