Thursday, November 09, 2006

The Nameless City.

Os sinos repicaram por toda parte e nós dois saímos da casa escura e aos pedaços em que nos encontravamos. Eu ouvia passos por entre uma badalada e outra e, por um momento, jurei ter ouvido um ruflar de asas. Um arrepio percorreu minha espinha. Virei-me para o rapaz ao meu lado.

- Sinto muito, Eric, mas, se quiser enfrentar a criatura, vai ter que confiar em mim. - eu disse, gelando minha voz ao máximo. Não era a única de má vontade ali.

Ele não respondeu e eu apertei a mão dele com força, o puxando para longe da casa, que a cada instante parecia mais ameaçadora. Estava noite, e ambos estavamos sozinhos naquela cidade do inferno. Nem eu, nem ele sabiamos como haviamos ido parar lá, o fato é que estavamos e ponto.

Não só estávamos, como queríamos desesperadamente sair. Algo em mim dizia-me que tinhamos que enfrentar a criatura que morava lá, e eu tinha certeza de que Eric também sentira isso, tanto que não se opôs, quando rumei instintivamente para o mosteiro-biblioteca que vi no topo do morro ao norte.

Em cada esquina, um sussurro de maldizer, e rosnados. Meus sentidos tentavam me pregar peças, mas eu conseguia me manter alerta, graças a realidade de estar apertando a mão do moço ao meu lado. Tudo ali me parecia apavorantemente familiar, como se estivesse num pesadelo já visitado.

Olhei para meu lado esquerdo e num beco, pude ver algo se alimentando de uma carcaça. Parte de mim não queria olhar, mas a outra estava curiosa com o que poderia ser aquele bicho. Ele virou um de seus olhos para mim, e então, a luz se fez.

- Arkham. - eu deixei escapar com um tremor.

- O quê? - perguntou Eric soltando minha mão, com o susto.

- Não me larga, Eric! Estamos em Arkham, estamos em Arkham! - naquele instante o pânico subiu a minha garganta. De repente, eu sabia o que estava nos perseguindo. Olhei para o céu e uma nuvem tinha a forma de um grifo. Precisavamos chegar ao mosteiro ou ele iria me pegar.

Uma risada, um rugido, e eu corri. Senti que Eric gritou ao meu lado, e de repente, vi-me sozinha na cidade do inferno.

Não havia mais medo em mim. Olhei ao meu redor novamente, me acostumando com o lugar, então, voltei-me para encarar os olhos e presas de meu querido nêmesis: eu mesma.

4 comments:

Anonymous said...

Genial =D

Anonymous said...

bacana.

Reivly said...

está esplêndida!

Gabriel Lupos Black said...

Até que enfim alguma referência que consigo captar (atestado de ignorância nerd). Amo todo o contesto de Arkham.

Muito bom o texto!

Beijo;